Ministro iraniano rejeita impacto das novas sanções anunciadas por Trump
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que o chamado “Dia D Econômico” anunciado pelo presidente dos Estados Unidos não passaria de uma tentativa de desviar a atenção dos problemas econômicos norte-americanos e que a iniciativa acabará em “mais derrota” para os EUA. A declaração de Araqchi foi dada na quinta-feira, 20, segundo relatos.
Na quarta-feira, 19, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma operação que qualificou como “a operação econômica mais esmagadora” já dirigida a um país, com foco no Irã. Trump disse que a ação consistiria em uma guerra econômica e em isolamento — e ameaçou penalizar qualquer nação que contribua para a manutenção da economia iraniana.
Em publicação citada pela reportagem, o presidente afirmou que “QUALQUER país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais forneçam qualquer tipo de apoio ao Irã também enfrentará CONSEQUÊNCIAS ECONÔMICAS ENORMES” e listou exemplos de atividades que deveriam cessar imediatamente, como contrabando de petróleo, linhas de swap, transferências de dinheiro, casas de câmbio, registros de navios e empresas de fachada. Trump não detalhou, porém, os mecanismos que serão usados para executar a ofensiva nem explicou como castigará estados que continuem a cooperar economicamente com o Irã.
O presidente também afirmou esperar que aliados dos EUA trabalhem para “isolar” e “derrotar” o que chamou de “ameaça iraniana”, e justificou a medida pela ausência de um acordo entre Washington e Teerã. As negociações para interromper o programa nuclear iraniano, iniciadas no começo do ano, fracassaram, segundo a administração americana, e contribuíram para a intensificação do confronto.
Especialistas e analistas apontam dúvidas sobre a efetividade de uma nova guerra econômica, já que o Irã já opera sob várias sanções que complicam seu comércio exterior. Em 2022, dados do Banco Mundial mostram que o Irã exportou produtos para 147 países. Em termos bilaterais, a China aparece como principal parceiro comercial do Irã: em 2022, o país vendeu US$ 22 bilhões em produtos para a China e importou US$ 15 bilhões. A Índia aparece em segundo lugar, com comércio de US$ 1,34 bilhão nos primeiros dez meses de 2025, incluindo exportações indianas de arroz, frutas, verduras, medicamentos e outros produtos farmacêuticos.
Outros parceiros comerciais relevantes do Irã listados nos registros incluem Alemanha, Coreia do Sul e Japão, países aliados dos Estados Unidos. O Irã não está entre os 20 maiores parceiros comerciais do Brasil, mas é importante destino regional: em 2025, o Brasil importou US$ 84,5 milhões do Irã — sobretudo ureia, pistache e uvas secas — e exportou US$ 2,9 bilhões, com destaque para milho, soja e açúcar.
A decisão de intensificar a pressão econômica sobre o Irã, segundo autoridades americanas, visa asfixiar a economia iraniana; Teerã, por sua vez, rejeita a premissa e prevê que a estratégia trará mais prejuízo político e diplomático aos Estados Unidos.
Com informações de G1




