O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reconheceu responsabilidade pela forma como foi comunicada a última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), cujo texto gerou dúvidas entre agentes do mercado. A ata do Comitê mostrou que, apesar de uma piora nas perspectivas de inflação para os anos seguintes, o BC decidiu prosseguir com o ciclo de redução da taxa Selic — que foi cortada em 0,25 ponto percentual, levando-a a 14,25% ao ano.
Segundo Galípolo, parte do ruído decorreu da tentativa de condensar explicações complexas em um parágrafo sucinto. “A responsabilidade, se o parágrafo não conseguiu transmitir aquilo que a gente queria em um espaço conciso, é absolutamente minha”, afirmou. A leitura do documento pelo mercado sugeriu uma postura menos rigorosa no combate à inflação, o que motivou reações adversas entre analistas e operadores.
O Banco Central justificou a decisão adotando a visão de que práticas recomendadas não demandam reação integral a variações de preços decorrentes de choques de oferta. Galípolo citou incertezas externas, como a guerra no Oriente Médio, como exemplo de eventos aos quais o Comitê optou por não responder imediatamente.
Economistas apontaram inconsistências na ata. Para Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, o trecho que passou a indicar “assimetria altista” nos riscos foi o principal elemento novo em relação ao comunicado da decisão. Ao mesmo tempo, outros trechos privilegiaram trajetórias de juros que evitassem maior volatilidade, o que, na avaliação do especialista, sinaliza uma tentativa de endurecer o discurso sem interromper o caminho de cortes.
O presidente afirmou que clareza na comunicação não equivale a antecipar decisões futuras e reiterou a posição institucional de preservar o direito de não revelar orientações quando entender que isso não é apropriado. “O Banco Central vai preservar o seu direito de não dar essa informação quando achar que não interessa divulgá-la antecipadamente. Não porque estamos escondendo o que vamos fazer, mas porque essa decisão será tomada daqui a 40 dias, na próxima reunião”, concluiu.
Com informações de G1




