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sábado, outubro 17, 2026

20 estados e o Distrito Federal têm desempenho em matemática abaixo do esperado para seu nível socioeconômico, aponta Pisa

Quem e o que: Pesquisa do Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional), encomendada pelo g1, reavaliou os resultados estaduais do Pisa 2025 para matemática, leitura e ciências levando em conta o nível socioeconômico dos estudantes. O objetivo foi comparar o desempenho esperado, dado o contexto familiar, com as notas efetivas de cada unidade da Federação.

Quando e onde: A análise usa dados da edição mais recente do Pisa, divulgada em setembro de 2026 pela OCDE, que avaliou jovens de 15 anos em 91 países. O detalhamento dos desempenhos estaduais não era divulgado desde 2015.

Metodologia

Os pesquisadores ajustaram as pontuações por um indicador socioeconômico padronizado que reúne três dimensões: escolaridade dos pais (convertida em anos de estudo), status ocupacional mais alto entre os responsáveis (medido pela escala ISEI) e recursos e bens em casa (posse de livros, computador, espaço próprio para estudar e acesso à internet). O ponto zero da escala equivale ao perfil médio dos países da OCDE.

Principais resultados

Para matemática, 21 unidades — 20 estados mais o Distrito Federal — ficaram abaixo do desempenho esperado para seu nível socioeconômico. O Paraná supera a expectativa em matemática por 15 pontos, sendo o maior destaque positivo do país. Em contraste, Roraima apresenta o pior resultado relativo, com 50,2 pontos abaixo do previsto. Estados do Norte, como Roraima, Tocantins, Amapá e Amazonas, concentram várias das maiores diferenças negativas.

No conjunto da leitura, o Brasil teve o melhor desempenho relativo: 24 dos 27 entes federativos ficaram acima do esperado. O Paraná lidera com 59 pontos a mais do que o previsto; Minas Gerais e Ceará também se destacam com diferenças positivas de 52,9 e 49,7 pontos, respectivamente. Apenas Roraima, Tocantins e Mato Grosso ficaram abaixo do esperado, com Mato Grosso registrando a menor diferença negativa (-1,0).

Em ciências, Paraná volta a liderar (+39,8), seguido por Minas Gerais (+29,6) e São Paulo (+27,3). Roraima também figura no último lugar relativo em ciências, com 40,4 pontos abaixo da expectativa. O Distrito Federal, embora apresente notas altas em termos absolutos, ficou levemente abaixo do previsto (-0,5).

Destaques e contraste entre unidades

O Paraná é o único estado que supera a expectativa em todas as três áreas avaliadas. Roraima aparece entre os piores desempenhos relativos nas três disciplinas. Estados nordestinos, como Ceará e Piauí, mantêm desempenhos superiores ao previsto por seu contexto; o Ceará obteve 363,3 pontos em matemática, valor baixo em termos absolutos, mas 10,5 pontos acima do esperado quando o nível socioeconômico é considerado.

Estados com maior renda, como Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, ficaram aquém do que o perfil socioeconômico sugeriria. Em números absolutos, São Paulo destaca-se com 403,8 em matemática, 433,7 em leitura e 442,6 em ciências, mas ao ajustar pelo contexto socioeconômico perde posição: em matemática a diferença é de apenas +2,3 pontos, a menor entre os cinco estados que superaram a expectativa.

Especialistas ouvidos pelo levantamento explicam que ajustar as notas é importante porque fatores como escolaridade dos pais e acesso a recursos favorecem a aprendizagem. Por exemplo, no Distrito Federal 15,6% dos jovens de 15 anos têm pais com escolaridade até o 9º ano; no Piauí esse percentual é de 30,5%. Também se destaca a importância da estabilidade ocupacional dos responsáveis, que pode influenciar o tempo e as condições para estudar.

Comparações ao longo de uma década

Ao comparar as médias de 2015 e 2025, observam-se aparentes avanços em alguns estados, mas os pesquisadores alertam que as amostras do Pisa são relativamente pequenas e os erros-padrão ampliam os intervalos de confiança. Segundo Ernesto Martins, diretor-fundador do Iede, muitos dos aumentos visíveis não podem ser confirmados estatisticamente porque os intervalos de confiança se sobrepõem.

Apesar da cautela estatística, o Paraná alcançou 462 pontos em ciências e 458 em leitura; mesmo no limite inferior dos intervalos, o estado teria ultrapassado 450 pontos, marca inédita para uma unidade da Federação. São Paulo aparece acima do esperado em 2025 considerando seu nível socioeconômico, mas a evolução ao longo da década é estatisticamente comprovada apenas em ciências; em matemática e leitura as diferenças entre 2015 e 2025 se sobrepõem.

Os pesquisadores também ressaltam dificuldades para comparar redes pública e privada em níveis estaduais: quando há poucas escolas privadas na amostra, os erros-padrão das médias aumentam, tornando rankings e comparações menos confiáveis.

O levantamento reitera a necessidade de considerar o contexto socioeconômico ao avaliar resultados educacionais e mostra padrões distintos entre disciplinas e regiões do país.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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