O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve assinar decretos para ampliar as importações de carne bovina e estimular a recomposição do rebanho, segundo informou um funcionário da Casa Branca à agência Reuters. O funcionário não detalhou os termos dos atos, que têm como objetivo principal conter a alta dos preços da carne no mercado interno americano.
Fontes jornalísticas, como o The Wall Street Journal, indicaram que as medidas poderão incluir a suspensão temporária de cotas tarifárias sobre a carne bovina, autorizando a entrada de maior volume do produto com tarifas reduzidas. Ainda de acordo com o jornal, Trump planeja orientar a Administração de Pequenas Empresas (SBA) a ampliar o crédito a pecuaristas e reduzir algumas proteções previstas na Lei de Espécies Ameaçadas para lobos-cinzentos e lobos mexicanos que atacam rebanhos.
O anúncio ocorre em um contexto de oferta restrita nos EUA: o rebanho bovino do país caiu ao menor nível em 75 anos, pressionado por uma seca prolongada que elevou custos e reduziu áreas de pastagem. Há também impacto pela suspensão, há um ano, da maioria das importações de gado mexicano devido a preocupações com a bicheira-do-Novo-Mundo.
Com a oferta apertada, os preços ao consumidor seguem elevados. Segundo o índice de preços ao consumidor do Departamento do Trabalho dos EUA, a carne bovina subiu 12,1% em abril na comparação anual; desde o retorno de Trump ao cargo, em janeiro de 2025, o item acumulou alta superior a 16%.
Expectativas de maior entrada de carne brasileira após o encontro entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva movimentaram o mercado de gado nos EUA. Na Bolsa Mercantil de Chicago, contratos futuros de gado vivo para junho fecharam em leve alta, enquanto os de agosto recuaram 0,5%.
O movimento do governo não é o primeiro do tipo: em outubro de 2025 Trump já havia ampliado em quatro vezes as importações de carne bovina da Argentina e, no mês seguinte, retirou a tarifa extra de 40% sobre carne bovina e café do Brasil.
O histórico recente de tarifas inclui um aumento de custos para importar bens anunciado em abril de 2025, que elevou preocupações sobre inflação. Em fevereiro deste ano, a Suprema Corte dos EUA declarou inválida a base legal (IEEPA) usada para aplicar parte dessas medidas. Na sequência, Trump instituiu uma tarifa global temporária de 10% por 150 dias, baseada na lei comercial de 1974; em 21 de fevereiro ele anunciou nas redes sociais a intenção de elevar a taxa para 15%, mas essa alteração não foi formalizada.
Do lado industrial, a baixa oferta levou frigoríficos a pagar mais pelo gado e a alguns fechamentos de unidades por empresas como JBS e Tyson Foods. O Departamento de Agricultura dos EUA projeta importações recordes de carne bovina em 2026, com alta de cerca de 6% em relação a 2025 e de 25% em comparação a 2024.
Em reação à alta de preços, Trump pediu a abertura de investigação contra os quatro maiores frigoríficos atuantes no país — JBS, National Beef (controlada pela Marfrig), Cargill e Tyson Foods — alegando que o encarecimento ocorreu “por meio de conluio ilícito”.
As medidas também chegam em um momento de insatisfação entre eleitores americanos, a menos de seis meses das eleições de meio de mandato. Pesquisa Washington Post-ABC News-Ipsos divulgada no início deste mês apontou desaprovação de 62% e aprovação de 37% a Trump. O levantamento indica ainda queda na avaliação do presidente sobre economia e inflação desde o início do conflito com o Irã, com avaliação da condução da crise internacional e da economia em níveis inferiores aos anteriores.
As autoridades ainda não divulgaram o conteúdo final dos decretos nem o cronograma completo de implementação.
Com informações de G1




