Michael Rousseau, CEO da Air Canada, comunicou ao conselho de administração que vai se aposentar ainda em 2026, anunciou a companhia nesta segunda-feira (30). A decisão ocorre na esteira de críticas recebidas após a divulgação de uma mensagem de condolências apenas em inglês, relacionada ao acidente que matou dois pilotos em Nova York neste mês.
Rousseau informou que deixará o cargo até o fim do terceiro trimestre. A Air Canada, com sede em Montreal, na província francófona de Quebec, é a maior companhia aérea do Canadá.
O acidente envolveu um voo da Air Canada Jazz que vinha de Montreal e bateu em um caminhão de bombeiros na pista do Aeroporto LaGuardia, logo após o pouso. Os dois pilotos mortos foram identificados como Antoine Forest, natural de Quebec, e Mackenzie Gunther. Além das vítimas fatais, o incidente deixou oito feridos no Canadá.
A reação política ao vídeo publicado em inglês foi rápida. O primeiro-ministro Mark Carney considerou apropriada a decisão de Rousseau e ressaltou que “é essencial que o próximo CEO da Air Canada seja bilíngue”. Carney já havia afirmado que a mensagem apenas em inglês demonstrava falta de compaixão e de discernimento.
O primeiro-ministro de Quebec, François Legault, também saudou a saída do executivo e exigiu que o conselho garanta que o sucessor fale francês. Autoridades provinciais haviam pedido anteriormente a renúncia de Rousseau.
Rousseau vinha recebendo críticas prévias por sua postura diante da língua francesa. A mensagem de condolências foi publicada em inglês, acompanhada de legendas em francês, e motivou centenas de reclamações ao Gabinete do Comissário de Línguas Oficiais.
O ministro dos Transportes do Canadá, Steven MacKinnon, agradeceu a Rousseau em publicação nas redes sociais e afirmou que o governo seguirá trabalhando próximo à Air Canada para assegurar que a empresa “ofereça um serviço seguro, confiável, acessível e bilíngue a todos os canadenses”.
Legault lembrou que, quando Rousseau assumiu a presidência da companhia em fevereiro de 2021, havia prometido aprender francês. A identidade de Quebec tem sido motivo de controvérsia histórica desde 1760, quando o território então chamado de Nova França foi tomado pelos britânicos, e cerca de 80% da população da província fala francês.
Com informações de G1




