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sexta-feira, outubro 23, 2026

Questão de ciências com personagens de novelinhas do TikTok em prova do 9º ano viraliza e gera críticas por imprecisões

Em uma escola pública de Viamão (Rio Grande do Sul), uma questão de ciências aplicada a alunos do 9º ano utilizou personagens de novelinhas do TikTok — Bananildo e Moranguete, criados por inteligência artificial — para tratar do tema reprodução humana. A proposta viralizou nas redes, mas especialistas ouvidos pelo G1 alertam que a abordagem pode induzir a equívocos conceituais.

O enunciado da avaliação recorria a uma conversa entre as frutas falantes para explicar a produção de espermatozoides e o processo de fecundação. Na versão aplicada, Bananildo afirma produzir “milhões de minibananildos” diariamente e relata a Moranguete que essas “minies” seriam geradas em um local e depois transportadas por um canal — metáforas destinadas a ilustrar a formação e o deslocamento dos gametas masculinos.

Professores de biologia entrevistados pelo G1 apontaram problemas na escolha dos personagens como ferramenta didática. Marcelo Perrenoud, professor de biologia do Curso Anglo, ressaltou que as bananas comercialmente consumidas hoje são frutos partenocárpicos — desenvolvem-se sem sementes e sem fecundação — e, por isso, não são um exemplo adequado para discutir reprodução cruzada. Segundo ele, isso torna a comparação inadequada e potencialmente confusa para estudantes.

Especialistas também destacaram que, mesmo no caso de outras frutas que se reproduzem sexuadamente, os termos usados nas plantas diferem dos empregados para animais: gametas masculinos e femininos nas plantas têm nomenclaturas próprias (como células espermáticas e oosferas), o que torna arriscada a transferência direta de conceitos entre reinos biológicos.

Outra crítica citada foi à expressão “minibananildos”, que reforçaria uma visão equivocada do espermatozoide como uma versão em miniatura do indivíduo. O professor Gabriel Antonini explicou ao G1 que o gameta masculino carrega apenas metade do material genético e não é um “mini-homem”, devendo unir-se ao óvulo para formar o embrião.

De acordo com as informações divulgadas, a prova incluiu quatro perguntas que exploravam a analogia proposta entre as frutas e o processo reprodutivo humano. Para os entrevistados, a tentativa de tornar o assunto mais acessível a pré-adolescentes acabou sacrificando o rigor científico e podendo aumentar dúvidas entre os alunos.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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