Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) divulgaram resultados iniciais que mostram que o ômega-3 do tipo DHA pode induzir a morte de células de câncer de ovário em experimentos laboratoriais. A investigação foi realizada no Laboratório de Imunologia e Inflamação do Departamento de Biologia Celular (Limi/CEL/IB), vinculado ao Instituto de Biologia da UnB.
Nos testes realizados em cultura celular, a equipe observou que o DHA provocou piroptose — uma forma de morte celular programada associada a resposta inflamatória — em células tumorais. Segundo os pesquisadores, esse mecanismo rompe a membrana das células afetadas e pode estimular o próprio sistema imunológico a atacar o tumor. Em paralelo, a substância não apresentou efeitos significativos sobre células saudáveis nas condições avaliadas.
Os responsáveis pelo projeto ressaltam, no entanto, que os achados são preliminares. As etapas seguintes envolvem ensaios em animais; atualmente a pesquisa está em fase pré-clínica, com a molécula sendo testada em camundongos implantados com células cancerígenas. Só caso esses experimentos apresentem resultados favoráveis é que estudos clínicos em humanos poderão ser planejados.
A linha de trabalho do Limi estuda há cerca de dez anos como a alimentação interfere no desenvolvimento tumoral, e os efeitos do DHA sobre o câncer de ovário foram considerados uma surpresa pelos pesquisadores. O estudo é originado do projeto de mestrado do imunologista Gabriel Pasquarelli, que assina como primeiro autor do artigo publicado sobre os resultados.
Os cientistas frisam que a intenção não é substituir tratamentos convencionais, como a quimioterapia, mas avaliar o DHA como uma molécula adjuvante que, se confirmada sua eficácia, poderia integrar estratégias de tratamento. Para avançar à fase clínica, a equipe aponta a necessidade de financiamento para conduzir um estudo que compare a proteção oferecida a mulheres em quimioterapia com e sem o uso do ômega-3 DHA.
O ômega-3 DHA pode ser obtido pela alimentação — principalmente em peixes de água fria como salmão, sardinha e atum — e também em óleos, sementes oleaginosas e suplementos. A pesquisa sugere o potencial uso do DHA tanto na prevenção quanto como complemento aos protocolos de tratamento, mas reforça que são necessárias várias etapas de validação antes de qualquer conclusão definitiva.
O câncer de ovário é, entre os tumores que atingem órgãos reprodutores femininos, a segunda maior causa de mortes no mundo; a doença costuma ser inicialmente assintomática e apresenta alta taxa de recorrência após os tratamentos.
Com informações de G1




