O júri popular dos acusados pela execução de Maria Bernadete Pacífico, conhecida como Mãe Bernadete, será realizado na segunda-feira, 13 de abril de 2026, a partir das 8h, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. Movimentos sociais e organizações convocaram um ato em frente ao fórum às 7h, antes do início do julgamento.
O julgamento havia sido inicialmente marcado para 31 de março, mas foi adiado depois que a defesa solicitou a substituição dos advogados. Família e integrantes da comunidade apontam que, embora a troca tenha amparo legal, o adiamento expõe fragilidades do sistema de proteção e da garantia de justiça para lideranças quilombolas.
Segundo o Ministério Público da Bahia (MP-BA), serão levados a júri Marílio dos Santos, apontado como mandante do crime, e Arielson da Conceição Santos, acusado de participar dos disparos. Ambos respondem por homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e uso de arma de uso restrito. Arielson também foi denunciado pelo crime de roubo. Outros três denunciados — Sérgio Ferreira de Jesus, Josevan Dionísio dos Santos e Ydney Carlos dos Santos de Jesus — serão julgados em data posterior.
O crime
Maria Bernadete foi assassinada no dia 17 de agosto de 2023, dentro da associação de sua comunidade em Simões Filho (BA). Conforme a denúncia, ela assistia televisão acompanhada dos netos quando foi atingida por 25 tiros, a maioria no rosto.
Conhecida pela atuação em defesa de direitos territoriais e pela organização comunitária do Quilombo Pitanga dos Palmares, Mãe Bernadete vinha relatando ameaças e conflitos relacionados à disputa por territórios quilombolas. Ela denunciou às autoridades a escalada de violência contra lideranças locais antes de ser morta.
Contexto de proteção e impunidade
Em 2019, Mãe Bernadete passou a integrar o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH) após relatar riscos ligados à sua atuação e à busca por justiça pelo assassinato de seu filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, o “Binho do Quilombo”. Binho foi morto a tiros em setembro de 2017, aos 36 anos, nas proximidades da comunidade; o crime permanece sem resolução.
Para a família, a combinação de perdas e a morosidade das investigações alimenta um ciclo de violência e impunidade. No mesmo dia em que o júri de Mãe Bernadete foi adiado, a família recebeu a informação de que o inquérito sobre a morte de Binho foi arquivado, o que motivou o pedido de federalização do caso. Jurandir Pacífico, filho de Mãe Bernadete e irmão de Binho, afirmou que viu na coincidência uma retaliação por parte do sistema.
Organizações da sociedade civil que acompanham o processo reivindicam mobilização popular para cobrar responsabilização completa, incluindo a identificação e punição dos mandantes. Representantes do movimento negro e de mulheres negras, além de comunidades quilombolas, convocaram a concentração em frente ao Fórum Ruy Barbosa para exigir respostas e justiça.
SERVIÇO
O quê: Ato por justiça e júri popular do caso Mãe Bernadete Pacífico
Onde: Fórum Ruy Barbosa – Praça Dom Pedro II, s/n – Nazaré, Salvador (BA)
Quando: 13 de abril de 2026 (segunda-feira), concentração às 7h; júri a partir das 8h
Com informações de Uberlandianofoco




