Eleição presidencial em clima de incerteza
Neste domingo (12), o Peru realiza a votação para escolher o novo presidente da República em um cenário marcado por forte incerteza e baixa confiança pública. A apatia dos eleitores é atribuída a anos de crises políticas, incluindo repetidos escândalos de corrupção e processos de impedimento que abalaram as instituições.
A instabilidade política se materializa em números: desde 2018, o país teve oito presidentes, resultado de um ciclo de interrupções democráticas. O Congresso desempenhou papel central nessa instabilidade, destituindo quatro chefes de Estado e levando outros dois à renúncia. Para esta eleição presidencial, concorrem 35 candidatos e não há um nome claramente favorito, o que torna o pleito, segundo analistas, um dos mais complexos da história recente do país.
Santos Saavedra Vásquez, presidente do partido Unidad Popular, afirma que a crise institucional é profunda e que, na última década, poderes Executivo, Legislativo e Judiciário foram capturados por grupos que enfraqueceram a governabilidade. Segundo ele, a eleição de Pedro Castillo em 2021 provocou reação das elites e da direita, culminando em manobras legais e na prisão de Castillo após uma tentativa de golpe a partir do Congresso em 2022 — situação que, na avaliação de Vásquez, permanece sem solução.
Os eleitores jovens, com menos de 30 anos, representam 26% do eleitorado e podem ser fator decisivo na disputa. Pesquisas da Ipsos indicam, porém, que 16% do eleitorado ainda está indeciso e 11% pretende votar em branco ou anular o voto. O país tem voto compulsório para cerca de 34 milhões de habitantes.
No cenário de intenção de votos, Keiko Fujimori aparece na liderança com 15% das intenções, em sua quarta tentativa presidencial, impulsionando uma tentativa de retorno do fujimorismo ao poder. Outros candidatos com presença nas pesquisas são o ex-prefeito de Lima Ricardo Belmont (80 anos), que ganhou visibilidade nas redes sociais, o comediante Carlos Álvarez, alinhado à direita, e o ultraconservador Rafael López Aliaga.
Vásquez questiona a confiabilidade das pesquisas, afirmando que elas costumam favorecer interesses da elite política e citando o exemplo de 2021, quando Pedro Castillo não figurava nas sondagens e acabou vitorioso. Ele também diz que existem dois ou três nomes ligados ao campo popular com possibilidade de chegar ao segundo turno, cuja definição está prevista para julho.
Entre as candidaturas citadas na disputa estão Roberto Sánchez Palomino, pelo Juntos pelo Peru, que tem como propostas a reforma do Judiciário e a revisão dos contratos do gás de Camisea; o economista Alfonso López Chau (ex-reitor da UNI, pelo Ahora Nación); o congressista e ex-ministro Roberto Sánchez (Juntos pelo Peru); e o advogado Ronald Atencio, líder da Aliança Venceremos, que reúne Nuevo Peru, Voces Del Pueblo e outros movimentos progressistas.
Embora distanciada da elite política, a juventude peruana manteve protagonismo em 2024, quando manifestações ajudaram a derrubar a então presidente Dina Boluarte. Neste pleito, entretanto, a preocupação dominante entre os eleitores é a segurança pública, com a escalada da violência urbana surgindo como prioridade.
Vásquez alerta ainda para a presença de forças conservadoras e para a possível sustentação de candidaturas ligadas ao legado de Fujimori e a interesses externos, citando também a intenção de representantes ultraconservadores de implementar modelos semelhantes ao do presidente argentino Javier Milei.
O processo eleitoral terá desdobramentos nas próximas semanas, com a definição dos candidatos que avançarão ao segundo turno prevista para julho.
Com informações de Uberlandianofoco




