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quarta-feira, outubro 21, 2026

Bloqueio do Estreito de Ormuz pelos EUA eleva risco de alta no preço do petróleo e pressiona combustíveis no Brasil

O bloqueio do Estreito de Ormuz anunciado pelos Estados Unidos na segunda-feira (13) reacendeu preocupações sobre a oferta internacional de petróleo e os efeitos sobre os preços dos combustíveis no Brasil, apontam analistas ouvidos pelo G1.

O estreito é uma rota marítima estratégica para o transporte de petróleo. A interrupção parcial ou total do tráfego pela passagem pode reduzir a disponibilidade da commodity no mercado global, o que tende a elevar cotações internacionais, dizem especialistas.

Para Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, o agravamento das tensões entre EUA e Irã deixou de ser um fator secundário e passou a atuar diretamente na formação de preços globais, justamente por afetar um ponto crítico da cadeia de energia.

A executiva observa que, até então, o cenário para o Brent — referência internacional — apontava para uma faixa entre US$ 75 e US$ 85 ao longo de 2026, com crescimento moderado e oferta ajustada. Com o aumento do risco envolvendo o Irã e o Estreito de Ormuz, as projeções já vêm sendo reajustadas para um intervalo mais próximo de US$ 85 a US$ 95 neste ano.

Impactos esperados no Brasil

Especialistas consultados pelo G1 afirmam que não há indicação, por enquanto, de desabastecimento de combustíveis no Brasil. No entanto, a alta do petróleo no mercado internacional já tem pressionado a inflação local e pode piorar caso o conflito se prolongue.

Felipe Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, avalia que o país provavelmente não enfrentará falta de combustível, mas que a tendência é de “um petróleo mais caro por mais tempo”, com reflexos sobre os preços ao consumidor e a inflação.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA de março subiu 0,88% frente a fevereiro, acima da expectativa de 0,7%. O principal impacto veio do grupo Transportes (1,64%), pressionado pela alta dos combustíveis, que subiram 4,59% no período. Durante a divulgação do índice, o gerente do IPCA do IBGE, Fernando Gonçalves, afirmou que as restrições de oferta internacionais e os repasses domésticos já aparecem nos números da inflação de março.

Segundo Olívia Flôres de Brás, o efeito sobre os preços dos combustíveis dependerá mais da duração do conflito do que de oscilações diárias do petróleo: se os preços permanecerem elevados por semanas ou meses, o repasse ao consumidor tende a se intensificar, primeiro de forma parcial e depois mais direta.

Evolução dos preços desde o início dos ataques

Desde os primeiros bombardeios, na madrugada de 28 de fevereiro, a incerteza sobre o desenrolar da guerra impulsionou altas no preço do barril, com reflexos no Brasil. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o preço do diesel ao consumidor subiu R$ 0,05 na primeira semana de março, para R$ 6,08, e chegou a R$ 6,80 em 14 de março. Em relatório divulgado na última sexta-feira, a ANP apontou que a média do diesel caiu 0,2%, para R$ 7,43, enquanto a gasolina recuou R$ 0,01, para R$ 6,77 — níveis, na avaliação da agência, ainda elevados.

Analistas alertam que, embora ajustes pontuais possam ocorrer no curto prazo, um cenário prolongado de tensão no Estreito de Ormuz tende a manter a pressão sobre os preços internacionais do petróleo e, consequentemente, sobre combustíveis e inflação no Brasil.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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