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quarta-feira, outubro 21, 2026

Guerra, tarifas e preferência chinesa pelo Brasil aprofundam crise dos produtores de soja nos EUA

TRANSMISSÃO: Record

Produtores do Meio-Oeste enfrentam combinação de custos altos e queda de demanda

Produtores de soja nos Estados Unidos relatam uma piora significativa nas condições financeiras devido à combinação de tarifas comerciais, interrupções no fornecimento provocadas pela guerra no Oriente Médio e a migração das compras chinesas para o Brasil. No centro das queixas está o agricultor Doug Bartek, de 60 anos, que administra uma propriedade de 2.000 acres perto de Wahoo, Nebraska, e preside a Associação de Soja de Nebraska.

Bartek destaca que o aumento nos preços de combustível, máquinas e fertilizantes tem corroído a rentabilidade da lavoura. Ele informa que aluga três quartos da área que cultiva e comenta que proprietários de terra vêm elevando os valores de arrendamento, pressionando ainda mais o orçamento das fazendas. Segundo ele, insumos como fertilizantes, sementes, defensivos e peças mecânicas registraram aumentos drásticos.

A soja, amplamente usada na alimentação animal, em produtos alimentícios e em biocombustíveis, foi por décadas um dos principais produtos agrícolas exportados pelos EUA, com demanda impulsionada pela China. Porém, o país sul-americano ultrapassou os EUA como maior produtor mundial, contribuindo para um excesso de oferta global que manteve preços baixos nos últimos anos. O economista agrícola Chad Hart, da Iowa State University, observa que a produção mundial tem batido recordes, gerando estoques elevados e pressionando os preços.

As tarifas aplicadas pelo governo de Donald Trump em abril de 2025 e a subsequente retaliação chinesa reduziram drasticamente as compras da China de soja americana, empurrando o país asiático a preferir fornecedores como o Brasil. Um acordo fechado no fim de 2025 prevê que a China compraria 12 milhões de toneladas de soja até janeiro e, nos três anos seguintes, pelo menos 25 milhões de toneladas por ano. Em dezembro, o governo dos EUA anunciou um pacote de ajuda temporária de US$ 12 bilhões para produtores afetados.

Apesar do acordo e do auxílio federal, produtores dizem que os danos já estavam feitos. A Associação Americana de Soja estimou prejuízos próximos a US$ 75 por acre na safra de 2025, e as exportações americanas seguem entre 15% e 20% abaixo do nível esperado, segundo analistas.

A situação se agravou com o ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro, que interrompeu o tráfego no Estreito de Ormuz e afetou o fornecimento de fertilizantes nitrogenados produzidos no Golfo Pérsico. A ureia, o fertilizante nitrogênio mais usado, teve forte alta de preço — cerca de metade da oferta mundial vem do Oriente Médio — e o custo do diesel e da gasolina também subiu, elevando gastos de transporte e operação.

Analistas como Seth Goldstein, da Morningstar, apontam que instalações para exportação e unidades industriais no Oriente Médio foram danificadas, o que deve atrasar a normalização das cadeias de suprimentos. Pesquisa do Centro Purdue para Agricultura Comercial, realizada com 400 agricultores no fim de março, mostra que quase metade avaliou sua situação financeira como pior do que um ano antes.

A combinação de receitas reduzidas e custos crescentes contribuiu para um aumento no número de falências entre 2024 e 2025, segundo especialistas. Produtores comentam ainda relatos de suicídios, de leilões de propriedades por dificuldades financeiras e de incerteza sobre a continuidade das operações familiares — preocupação que atinge até a próxima geração, como no caso do filho de Bartek, que adquiriu uma fazenda recentemente.

Entre as lideranças do setor, há apreensão de que, enquanto os preços das commodities permanecerem pressionados e os insumos continuarem subindo, a sobrevivência financeira de muitos agricultores permanecerá em risco.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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