O Banco Mundial informou que pode mobilizar entre US$ 80 bilhões e US$ 100 bilhões em financiamento nos próximos 15 meses para atender países gravemente afetados pela guerra no Oriente Médio, declarou o presidente da instituição, Ajay Banga, nesta terça-feira (14). O montante estimado superaria os US$ 70 bilhões disponibilizados durante a pandemia de Covid-19.
Segundo Banga, parte desse pacote — entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões — poderia ser liberada já nos próximos meses por meio de uma janela de resposta a crises que permite aos países resgatar antecipadamente até 10% dos recursos de programas previamente aprovados. Além disso, entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões poderiam ser obtidos por meio da realocação de programas existentes, processo que levaria cerca de seis meses.
O presidente do banco ressaltou, durante as reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, que o reconhecimento do impacto da guerra sobre o crescimento global e a inflação está se intensificando, com ênfase nas vulnerabilidades dos países em desenvolvimento.
O Fundo Monetário Internacional já revisou para baixo suas projeções de crescimento global em razão da alta nos preços da energia provocada pelo conflito. O FMI informou que, sem a guerra, teria aumentado sua estimativa em 0,1 ponto percentual, para 3,4%.
Banga acrescentou que, caso o conflito se prolongue e surjam necessidades financeiras maiores, o Banco Mundial precisará recorrer ao seu próprio balanço e à margem de manobra para captar recursos adicionais e atingir a meta de US$ 80 bilhões a US$ 100 bilhões, além dos empréstimos rotineiros da instituição. Ele afirmou estar montando um conjunto de ferramentas com respostas escalonadas, conforme a evolução da crise.
Em declarações separadas no mesmo evento, a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, avaliou que será necessário tempo para que o mercado de energia se estabilize, mesmo se a guerra terminar sem danos estruturais à infraestrutura energética. Georgieva afirmou que a economia global pode se recuperar rapidamente do choque se o conflito acabar nas próximas semanas, mas que o quadro piorará se a guerra se estender pelo verão.
Georgieva disse ainda que o FMI está em negociações com países fortemente afetados pelo aumento dos preços da energia e pelas perturbações nas cadeias de suprimentos para discutir suas necessidades financeiras. Tanto ela quanto Banga recomendaram medidas específicas e temporárias para aliviar o impacto do aumento dos custos energéticos e advertiram contra subsídios amplos ao setor que possam impulsionar ainda mais a inflação.
Com informações de G1




