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quarta-feira, outubro 21, 2026

Quando o preço do café pode cair para o consumidor em 2026

TRANSMISSÃO: Record | Max

O aumento da safra de café previsto para 2026 no Brasil pode aliviar a pressão sobre os preços ao consumidor, mas é improvável que os valores voltem aos patamares de seis anos atrás, dizem economistas consultados pelo G1.

Em 12 meses, o preço do café moído registrou alta de 0,54% ao consumidor, segundo dados citados na reportagem. Apesar da desaceleração da inflação, os valores nas prateleiras seguem elevados: em 2020 o quilo do café torrado e moído custava, em média, R$ 16,45, enquanto hoje o produto é vendido por cerca de R$ 63,69, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

No campo, o valor pago ao produtor começou a cair no início de 2025 por causa da expectativa de maior produção no Brasil e no exterior. Em agosto, entretanto, as cotações subiram após a imposição de tarifas pelo presidente Donald Trump e só voltaram a recuar após a retirada dessas taxas em novembro.

Segundo o analista do Safras & Mercado Gil Barabach, parte da queda de preços observada no campo já chegou ao consumidor. A inflação do café moído vem recuando mês a mês desde julho de 2025 e acumula, em 2026, uma queda de 3,6% pelo IPCA, índice oficial do IBGE. Ainda assim, Barabach ressalta que a recuperação a níveis bem mais baixos será gradual e dependerá da recomposição da produção e dos estoques não apenas no Brasil, mas também em outros países produtores.

Para esta temporada, o Safras & Mercado projeta uma colheita de 75,6 milhões de sacas de 60 quilos, estimativa alinhada ao analista da StoneX Brasil, Fernando Maximiliano. O governo, por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), projeta uma moagem menor: 66,2 milhões de sacas, o que representa alta de 17% em relação à safra anterior. A Conab atribui o aumento previsto à bienalidade positiva, à expansão de áreas cultivadas, ao avanço tecnológico e a condições climáticas mais favoráveis.

A bienalidade do café significa que uma safra mais produtiva costuma ser seguida por outra com menor produção, já que a planta precisa se recuperar. Além disso, há preocupação com fenômenos climáticos para os próximos anos: o economista André Braz, do FGV Ibre, alerta que um El Niño forte, previsto para o segundo semestre, pode afetar negativamente as lavouras. Um relatório do Cemaden, publicado em 31 de março, apontou 80% de probabilidade de desenvolvimento de El Niño no segundo semestre de 2026.

O El Niño tende a alterar o volume e a distribuição das chuvas — provocando mais precipitação no Sul e secas no Norte e Nordeste do país, além de temperaturas mais altas — o que pode prejudicar o desenvolvimento do fruto no período de plantio, que ocorre no segundo semestre. Com isso, Braz destaca que não é provável haver alívios significativos e imediatos para o consumidor, mesmo com a expectativa de maior oferta neste ano.

O efeito final sobre os preços dependerá, portanto, da confirmação da safra, da evolução dos estoques e do comportamento climático nos meses e anos seguintes.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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