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quarta-feira, outubro 21, 2026

Indicação de Kevin Warsh ao comando do Fed enfrenta resistência por declarações financeiras incompletas

Patrimônio elevado e lacunas nas divulgações geram questionamentos no Senado

A nomeação de Kevin Warsh para dirigir o Federal Reserve, indicada pelo presidente Donald Trump, foi colocada em xeque após a divulgação de documentação que aponta um patrimônio superior a US$ 100 milhões (cerca de R$ 500 milhões) e contém informações incompletas que preocupam parlamentares sobre potenciais conflitos de interesse.

Os arquivos entregues pelo indicado têm 69 páginas e detalham posições financeiras substanciais, entre elas dois aportes superiores a US$ 50 milhões no fundo Juggernaut Fund LP e pagamentos de US$ 10,2 milhões a Warsh por serviços de consultoria prestados ao investidor Stanley Druckenmiller. Parte relevante dos investimentos aparece sem especificação dos ativos subjacentes devido a cláusulas de confidencialidade, o que tem motivado pedidos de esclarecimento no Congresso, segundo relatos da agência Reuters.

Senadores têm defendido a suspensão da audiência de confirmação, marcada para a próxima terça-feira, dia 21, até que as divulgações estejam completas. A senadora democrata Elizabeth Warren reclamou que as informações submetidas não cumprem as exigências éticas vigentes e solicitou que a sabatina seja adiada até resolução das inconsistências. Ela argumentou que, sem transparência total, não é possível garantir que quaisquer vínculos financeiros tenham sido desfeitos antes de uma eventual posse.

Warsh afirmou que pretende se desfazer dos ativos conflitantes caso seja confirmado para o cargo. As regras éticas do Fed, reforçadas em 2022, vedam que autoridades mantenham certas participações, incluindo ações de bancos e ativos associados a criptomoedas. Ainda assim, as declarações de Warsh indicam exposição a plataformas relacionadas ao Ethereum e outros serviços financeiros digitais, além de dezenas de participações em setores como inteligência artificial e tecnologia que não vêm acompanhadas de valores específicos.

O documento também registra ativos vinculados à esposa de Warsh, Jane Lauder, herdeira da Estée Lauder, cujo patrimônio é estimado em aproximadamente US$ 1,9 bilhão. Especialistas ouvidos pela imprensa ressaltaram que os acordos não totalmente divulgados podem exigir questionamentos adicionais durante a sabatina; a professora Kathryn Judge, da Columbia Law School, descreveu como notável a ausência de detalhes em determinados contratos.

Além da resistência de democratas, o senador republicano Thom Tillis declarou que só votará a favor da confirmação após a conclusão de uma investigação do Departamento de Justiça envolvendo o atual presidente do Fed, Jerome Powell — medida que, na prática, freia o avanço da indicação. Membros democratas do Comitê Bancário solicitaram o adiamento da audiência enquanto prosseguem investigações relacionadas a integrantes do Fed, que consideram relevantes para avaliar possíveis pressões sobre a política de juros.

O governo Trump pretende concluir a nomeação até 15 de maio, data em que termina o mandato de Powell na presidência do Fed. Analistas e parlamentares consideram o cronograma ambicioso diante das lacunas nas declarações e da necessidade de eventual desinvestimento de ativos complexos. Caso Warsh não seja confirmado a tempo, Powell pode permanecer como presidente interino e seguir como diretor do banco central até 2028.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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