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quinta-feira, outubro 22, 2026

Redpill: ideologia online que alimenta ressentimento masculino e legitima violência contra mulheres

Redpill e a difusão de uma narrativa de controle

O termo redpill, popularizado nas redes sociais, deixou de ser apenas um meme para designar uma ideologia que fomenta ressentimento masculino, reforça a misoginia e legitima práticas de controle e violência contra mulheres. Originado da metáfora do filme Matrix (1999) — em que a “pílula vermelha” representa a revelação de uma suposta verdade — o conceito passou a ser usado por comunidades digitais que afirmam expor a “realidade” das relações entre homens e mulheres.

Esses grupos promovem a narrativa de que os homens teriam perdido poder social em razão das conquistas femininas e defendem a restauração de uma masculinidade baseada em dominação. Na retórica redpill, mulheres são frequentemente retratadas como manipuladoras ou interesseiras e a independência feminina é apresentada como ameaça. Em contraposição, idealiza-se uma mulher submissa e a reivindicação de que homens retomem posição hierárquica nas relações.

O discurso funciona, segundo observadores, como um aparelho ideológico que alimenta frustração e raiva. Jovens homens inseguros ou insatisfeitos com experiências afetivas encontram nesses ambientes uma explicação pronta para seus fracassos, recebendo validação para sentimentos de ódio em vez de estímulos à responsabilidade emocional. A linguagem de aconselhamento ou “autoajuda masculina” muitas vezes encobre a defesa explícita da desigualdade, da dominação masculina e da ideia de que recusas femininas — seja em relação a sexo ou término de relacionamento — justificariam punição.

Casos que ilustram a transição do discurso para a violência

O ambiente ideológico também tem sido associado a crimes de violência contra mulheres. Em 2025, em São Paulo, a jovem Taynara Souza Santos, de 31 anos, foi atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro pelo ex-companheiro após uma discussão. De acordo com reportagens, ela sofreu mutilações gravíssimas, perdeu as duas pernas e posteriormente faleceu. O crime foi classificado pelas autoridades como tentativa de feminicídio motivada por ciúmes e sentimento de posse.

Outro caso divulgado envolve o influenciador Thiago Schutz, conhecido como “Calvo do Campari”, que se declarava adepto da ideologia redpill. Schutz foi preso após denúncias de violência doméstica contra a namorada, Lais Angeli Gamarra. Laudos médicos apontaram episódios de tapas, chutes e puxões de cabelo; relatos indicam que uma das motivações teria sido a recusa da mulher em manter relações sexuais.

Estudos e reportagens mencionam ainda o alcance desses conteúdos entre adolescentes e jovens adultos. Meninos entre 14 e 25 anos aparecem como público frequente de espaços digitais onde frases que relativizam ou naturalizam a violência são banalizadas. Especialistas descrevem esse processo como radicalização digital: piadas e memes que se transformam em crenças estruturadas e legitimam comportamentos agressivos.

No plano institucional, surgem iniciativas legislativas no Brasil para enfrentar a disseminação de conteúdos misóginos e de incitação à violência nas redes. Autoridades e organizações apontam que o enfrentamento envolve, além de medidas jurídicas, ações educativas, fortalecimento de redes de proteção às vítimas e mudanças culturais voltadas à construção de masculinidades baseadas em respeito e igualdade.

A discussão pública sobre o fenômeno redpill destaca que a disseminação dessa ideologia nas plataformas digitais contribui para a reprodução de hierarquias patriarcais e para o aumento de risco a mulheres, exigindo resposta coletiva e medidas articuladas.

Com informações de Revistasoberana

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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