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11/08/1992 — Como a bicicleta ajudou mulheres indianas a ler, escrever e ter uma vida melhor

Programa de alfabetização no sul da Índia usou bicicletas para ampliar mobilidade e transformar vidas

Um esquema de distribuição e ensino de bicicleta foi decisivo para ampliar a alfabetização e a autonomia feminina no distrito de Pudukkottai, no estado de Tamil Nadu, no extremo sul da Índia. A mobilidade proporcionada pelas bicicletas permitiu que muitas mulheres rurais passassem a frequentar salas de aula, assumissem cargos remunerados e obtivessem maior liberdade para agir no cotidiano — cenário que culminou com a declaração de Pudukkottai como distrito livre do analfabetismo em 11/08/1992.

O esforço regional fez parte da Missão Nacional pela Alfabetização, criada em 1988 para promover leitura, matemática e noções sobre direitos fundamentais. No censo de 1991, menos da metade das mulheres do distrito sabia ler e escrever: eram cerca de 270 mil mulheres analfabetas. Para alcançar esse público, os organizadores estimaram a necessidade de 30 mil voluntários, o que levou à adoção do programa das bicicletas para facilitar o deslocamento das professoras voluntárias até aldeias remotas.

A então coletora do distrito, Sheela Rani Chunkath, relatou que muitas famílias exigiam professoras mulheres, mas poucas delas dispunham de transporte próprio. A solução foi incentivar o aprendizado do ciclismo entre as voluntárias, entrega de bicicletas e a criação de condições para que elas atuassem em áreas rurais. Houve resistência de autoridades locais contrárias à ida de mulheres a locais distantes, mas as responsáveis pelo projeto mantiveram a iniciativa.

Entre as beneficiadas está Jayachithra, hoje diretora de uma escola estadual e com 55 anos, cuja vida mudou há 33 anos quando aprendeu a pedalar para ministrar aulas a mulheres de uma aldeia vizinha. Ela conta que, antes, tinha restrições na família e poucas oportunidades; após conquistar mobilidade, passou a trabalhar fora e a ganhar independência. A adaptação ao uso de bicicletas masculinas e às saias tradicionais exigiu esforço, mas trouxe resultados práticos: deslocamento para o trabalho, ganho de confiança e acesso a novas ocupações.

Outra participante, Vasantha, quase 60 anos, vinha de família da casta dalit e trabalhava em uma pedreira. Depois de aprender a ler, escrever e pedalar, juntou-se a outras colegas para montar um negócio próprio e passou a usar a bicicleta para tarefas diárias como buscar água. Ela também ajudou a direcionar a filha e a neta para melhores oportunidades profissionais.

O legado do programa reflete-se hoje em mudanças nas rotinas e nas perspectivas econômicas de muitas mulheres de Pudukkottai: aumento de emprego em vagas de nível júnior, capacidade de reivindicar salários mais justos e menos dependência de parentes do sexo masculino para se deslocar, mesmo em áreas com infraestrutura limitada de transporte. Alguns exemplos mostram também uma evolução individual — enquanto muitas mulheres continuam a andar de bicicleta, outras passaram a usar lambretas e carros.

O uso da bicicleta pelo programa de alfabetização acelerou não apenas o acesso à leitura e à escrita, mas também a inserção feminina em espaços de trabalho e decisão nas comunidades do distrito.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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