Um projeto em Tomé-Açu, no Pará, tem transformado a maneira de cultivar o dendê ao aplicar sistemas agroflorestais que reproduzem a estrutura de uma floresta. A iniciativa, que integra palmeiras a espécies como açaí, cacau e andiroba, resultou em ganhos de produtividade, recuperação do solo e maior atratividade comercial do produto.
Sistema agroflorestal e ganhos de produtividade
Produtores locais passaram a substituir o modelo tradicional de monocultura pelo chamado “SAF Dendê”, no qual o cultivo do dendê convive com outras espécies. Em comparação com o plantio isolado, a produção por planta subiu de uma média de 130 kg de cachos por ano — no monocultivo — para cerca de 180 kg no sistema agroflorestal, um aumento de até 38%.
Além do aumento na produtividade por indivíduo, o SAF tem contribuído para reduzir a dependência de insumos químicos, já que o consórcio de culturas fornece nutrientes de forma mais natural, tornando a produção mais resiliente.
Recuperação do solo e valor de mercado
Os resultados ambientais também são expressivos: em aproximadamente 17 anos, a camada de matéria orgânica do solo passou de 5 cm para mais de 30 cm, segundo registros do projeto. Esse processo de recuperação propicia maior fertilidade e estabilidade ao sistema agrícola.
No mercado, o dendê produzido no sistema agroflorestal tem conseguido remuneração superior ao convencional, com preços que podem ficar entre 15% e 20% acima dos praticados para o produto oriundo de monoculturas.
Contexto histórico e importância do óleo
Tomé-Açu tem tradição agrícola desde a chegada de imigrantes japoneses na década de 1920. A região viveu um período de destaque na produção de pimenta-do-reino nos anos 1960, conhecido como “diamante negro”, mas o cultivo intensivo esgotou o solo e favoreceu a ocorrência de fusariose, uma doença fúngica que dizimou plantações e motivou a busca por modelos alternativos.
O dendê entrou na região nos anos 1980, inicialmente também em monocultivo. Ao incorporar práticas agroflorestais e saberes tradicionais amazônicos, os agricultores locais melhoraram os parâmetros produtivos e ambientais.
O óleo de dendê, essencial em preparações como o acarajé baiano, é hoje o óleo vegetal mais consumido globalmente e aparece em alimentos industrializados, cosméticos e biodiesel. A adoção do SAF no Pará também atrai interesse da indústria cosmética, em um contexto em que a cultura responde a críticas internacionais sobre desmatamento ao oferecer alternativas mais sustentáveis.
Com informações de G1




