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terça-feira, outubro 27, 2026

30/10/2025 — Filme sobre Bolsonaro teve denúncias de condições precárias mesmo após aporte de R$ 61 milhões

Relatos de figurantes e técnicos apontam problemas em gravações de “Dark Horse”

Quem: figurantes, técnicos e o Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (SATED/SP); o que: denúncias de condições precárias durante as filmagens do longa “Dark Horse”; onde: gravações em São Paulo; quando: ocorrências compiladas em relatório de dezembro, incluindo relato de comida estragada em 30 de outubro de 2025.

Um relatório do SATED/SP, ao qual o G1 teve acesso, reúne 15 queixas formais registradas por trabalhadores que atuaram nas filmagens de “Dark Horse”. Os relatos incluem fornecimento de alimentos estragados, refeições insuficientes para jornadas superiores a oito horas, atrasos e descontos em pagamentos, contratação informal e revistas pessoais consideradas invasivas por seguranças.

Segundo o documento, enquanto a equipe principal tinha acesso a café da manhã e almoço em sistema self-service, os figurantes recebiam um kit com pão com frios, uma maçã, uma paçoca e um suco — quantia considerada inadequada para longas jornadas. O relatório registra especificamente o fornecimento de comida estragada em 30 de outubro de 2025.

Outras queixas relatam cachês abaixo do padrão de mercado, pagamentos em dinheiro sem emissão de nota fiscal, contratação por meio de grupos de WhatsApp e cobrança de R$ 10 pelo transporte até as locações, cobrado em dinheiro ou descontado do cachê. Há também denúncias de assédio moral recorrente e relatos de agressão física por parte de um figurante, que registrou boletim de ocorrência e disse que faria exame de corpo de delito.

O documento aponta ainda abordagens consideradas invasivas por parte de seguranças, com toques em partes íntimas e nos seios de figurantes na entrada das locações. O SATED/SP afirma que as denúncias serão apuradas pelas autoridades competentes, preservando o contraditório e a ampla defesa, e destaca que não faz acusações diretas contra a produção.

O relatório menciona também a contratação de equipe técnica estrangeira sem recolhimento das taxas previstas na Lei nº 6.533/78, e ausência de registros de pagamento por parte do SATED/SP e do SINDICINE, além da falta de envio de contratos necessários à obtenção de vistos sindicais.

As denúncias vieram à tona em meio à divulgação de mensagens e áudios entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, que o portal Intercept Brasil informou ter transferido R$ 61 milhões para a produção entre fevereiro e maio de 2025 por meio de um fundo nos Estados Unidos ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro. Em áudio de setembro de 2025, Flávio diz que o filme vivia um “momento muito decisivo” e demonstra preocupação com atrasos nos pagamentos; em mensagens, convidou Vorcaro para jantar com o ator Jim Caviezel.

Procurada pelo G1, a GOUP Entertainment, produtora de “Dark Horse”, não respondeu inicialmente. Posteriormente, a empresa negou ter recebido recursos de Daniel Vorcaro ou de empresas sob seu controle, afirmando que entre os investidores do longa não consta qualquer centavo do banqueiro e repudiando tentativas de associação sem comprovação documental, financeira ou contratual. Flávio Bolsonaro afirmou que o financiamento foi feito com “dinheiro privado” e negou irregularidades, mais tarde confirmando que pediu recursos ao banqueiro, mas negando “relações espúrias”.

O volume de recursos atribuído ao aporte chamou atenção no setor audiovisual por ultrapassar orçamentos recentes de destaque no Brasil: a Ancine aponta que “O Agente Secreto” teve orçamento de R$ 28 milhões, dividido entre Brasil e três países europeus, montante bem inferior ao valor associado ao repasse de Vorcaro. Produtores de “Dark Horse” ainda negociam distribuição internacional, segundo o site Deadline, apesar de especulações sobre possível estreia em setembro de 2026.

Dirigido por Cyrus Nowrasteh e escrito por Mark Nowrasteh a partir de argumento de Mario Frias, o elenco de “Dark Horse” inclui Esai Morales, Lynn Collins, Camille Guaty — que interpreta Michelle Bolsonaro — e Jeffrey Vincent Parise.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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