O Brasil participou da 93ª Sessão Geral da Assembleia Mundial de Delegados da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), em Paris, reunindo representantes de 183 países-membros para debater saúde animal, vigilância sanitária, comércio agropecuário e prevenção de doenças que afetam o mercado global de proteínas animais.
No encontro, realizado na capital francesa, o país teve destaque após o reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa sem vacinação — marco considerado relevante para o agronegócio brasileiro e para estados produtores como Minas Gerais.
Na comitiva brasileira estavam integrantes do Ministério da Agricultura e Pecuária, técnicos da defesa agropecuária, representantes de entidades do setor pecuário e da indústria exportadora de carnes. O ministro Carlos Fávaro participou da cerimônia oficial ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando o certificado internacional foi entregue pela diretora-geral da OMSA, Emmanuelle Soubeyran.
Ao receber a certificação, o presidente Lula afirmou: “É o reconhecimento de um país que tem no agronegócio, na pecuária, uma das suas mais importantes vertentes econômicas. Esse certificado é o reconhecimento da robustez e da confiabilidade do nosso sistema de defesa agropecuária.” O ministro Carlos Fávaro também comemorou a conquista: “Este é um dia histórico, que comprova a força da nossa sanidade agropecuária e abre grandes oportunidades comerciais. Receber o certificado de país livre de febre aftosa sem vacinação é motivo de orgulho nacional. Um resultado de mais de 60 anos de trabalho sério e comprometido dos nossos estados e de todos que atuam nesse setor.”
Minas Gerais foi representada por André Duch, diretor técnico do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), e por Natanael Lamas, coordenador estadual do Programa Nacional de Vigilância da Febre Aftosa. Membros do sistema agropecuário mineiro e da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG) também acompanharam as atividades.
Sobre a conquista, André Duch ressaltou que o reconhecimento consolida esforços coordenados ao longo de décadas: “É uma abertura de portas para novos mercados internacionais, fortalecendo o setor mineiro e brasileiro. A conquista internacional fortalece o reconhecimento obtido, consolidando Minas como referência em sanidade animal.”
O status sanitário concedido pela OMSA deve facilitar a ampliação das exportações brasileiras de carne bovina e o acesso a mercados mais exigentes, como Japão, Coreia do Sul e parte da União Europeia. Representantes da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do setor pecuário acompanharam a assembleia e avaliaram que o novo patamar sanitário fortalece a competitividade da proteína animal brasileira.
Entidades alertam para crise sanitária
Durante a assembleia, a OMSA destacou riscos e desafios globais, apontando que crises sanitárias já provocam perdas estimadas em cerca de 20% da produção animal mundial e aumentam o risco de doenças zoonóticas. O fórum discutiu ainda gripe aviária, resistência antimicrobiana, biossegurança, vigilância epidemiológica e os efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde animal.
A diretora-geral da OMSA, Emmanuelle Soubeyran, elogiou o trabalho brasileiro ao entregar a certificação: “É uma honra e um privilégio estar aqui diante dos senhores para celebrar este dia. O Brasil está pronto para ir adiante. Essa conquista decorre de muito planejamento.”
O tema central da edição foi “Investindo em saúde animal para garantir o futuro de todos”, com propostas voltadas ao aumento de investimentos em prevenção sanitária, vacinação, monitoramento epidemiológico e inovação tecnológica para reduzir perdas econômicas e fortalecer a segurança alimentar global.
Com informações de Regionalzao




