22.9 C
Uberlândia
domingo, novembro 1, 2026

Política contra assédio na UFU está pronta, mas não foi votada por falta de quórum

Proposta pronta após um ano de trabalho não foi votada por ausência de quórum no Conselho Universitário

Uma política institucional para prevenir e enfrentar o assédio e a discriminação na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) ficou pronta após um ano de tramitação, mas não chegou a ser votada no Conselho Universitário devido à falta de quórum na reunião extraordinária realizada em 29 de abril. O Ministério Público Federal já havia recomendado medidas para combater assédios em instituições federais de ensino em Minas Gerais.

A Política Institucional de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação da UFU foi elaborada ao longo de um ano e estava prevista para ser discutida na 4ª reunião extraordinária de 2026 do Conselho Universitário. No entanto, a assembleia não pôde ser iniciada porque apenas 87 dos 183 conselheiros compareceram — sendo necessário o mínimo de 92 para abrir a sessão.

Diante da urgência do tema, o conselho havia programado uma nova reunião extraordinária para 15 de maio, mas essa data foi adiada em razão da visita do Ministério da Educação à UFU, que comprometeu a presença de conselheiros necessários para a instalação do encontro. Além disso, quando foi divulgada a pauta da reunião ordinária marcada para o dia 29, na quarta-feira (27), a proposta de política contra o assédio não constava na lista de itens a serem votados.

Sindicatos e movimentos sociais vinham cobrando que a proposta fosse debatida em sessão extraordinária com pauta única. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) e a Seção Sindical dos Docentes da UFU (Adufu) manifestaram preocupação com a ausência de quórum e pediram celeridade na tramitação.

Integrante da comissão responsável pelo texto, a professora Neiva Flávia destacou a necessidade de uma reunião extraordinária em razão da relevância do tema. O presidente da comissão, professor Guimes Rodrigues Filho, afirmou que a proposta responde a demandas históricas da universidade, propondo ações permanentes contra diferentes formas de assédio e discriminação, incluindo o assédio sexual, um fluxo de acolhimento e apoio às vítimas, além de medidas de reparação — apontadas pelos elaboradores como ineditismo entre políticas brasileiras sobre o assunto.

O episódio ganhou nova repercussão após um homem ser detido por “constrangimento ilegal” no Campus Pontal, em Ituiutaba, incidente em que uma estudante foi atacada. O caso gerou sensação de insegurança e motivou ocupações estudantis no campus até que a Reitoria abrisse mesa de negociação. O reitor comprometeu-se a elaborar um cronograma de ações para reforçar a segurança, mas a ocupação segue enquanto as reivindicações não forem atendidas.

Até o momento, a proposta permanece pronta, mas sem data confirmada para votação em plenário do Conselho Universitário.

Com informações de Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também