Proposta pronta após um ano de trabalho não foi votada por ausência de quórum no Conselho Universitário
Uma política institucional para prevenir e enfrentar o assédio e a discriminação na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) ficou pronta após um ano de tramitação, mas não chegou a ser votada no Conselho Universitário devido à falta de quórum na reunião extraordinária realizada em 29 de abril. O Ministério Público Federal já havia recomendado medidas para combater assédios em instituições federais de ensino em Minas Gerais.
A Política Institucional de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação da UFU foi elaborada ao longo de um ano e estava prevista para ser discutida na 4ª reunião extraordinária de 2026 do Conselho Universitário. No entanto, a assembleia não pôde ser iniciada porque apenas 87 dos 183 conselheiros compareceram — sendo necessário o mínimo de 92 para abrir a sessão.
Diante da urgência do tema, o conselho havia programado uma nova reunião extraordinária para 15 de maio, mas essa data foi adiada em razão da visita do Ministério da Educação à UFU, que comprometeu a presença de conselheiros necessários para a instalação do encontro. Além disso, quando foi divulgada a pauta da reunião ordinária marcada para o dia 29, na quarta-feira (27), a proposta de política contra o assédio não constava na lista de itens a serem votados.
Sindicatos e movimentos sociais vinham cobrando que a proposta fosse debatida em sessão extraordinária com pauta única. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) e a Seção Sindical dos Docentes da UFU (Adufu) manifestaram preocupação com a ausência de quórum e pediram celeridade na tramitação.
Integrante da comissão responsável pelo texto, a professora Neiva Flávia destacou a necessidade de uma reunião extraordinária em razão da relevância do tema. O presidente da comissão, professor Guimes Rodrigues Filho, afirmou que a proposta responde a demandas históricas da universidade, propondo ações permanentes contra diferentes formas de assédio e discriminação, incluindo o assédio sexual, um fluxo de acolhimento e apoio às vítimas, além de medidas de reparação — apontadas pelos elaboradores como ineditismo entre políticas brasileiras sobre o assunto.
O episódio ganhou nova repercussão após um homem ser detido por “constrangimento ilegal” no Campus Pontal, em Ituiutaba, incidente em que uma estudante foi atacada. O caso gerou sensação de insegurança e motivou ocupações estudantis no campus até que a Reitoria abrisse mesa de negociação. O reitor comprometeu-se a elaborar um cronograma de ações para reforçar a segurança, mas a ocupação segue enquanto as reivindicações não forem atendidas.
Até o momento, a proposta permanece pronta, mas sem data confirmada para votação em plenário do Conselho Universitário.
Com informações de Uberlandianofoco




