A inteligência artificial (IA) vem ampliando a velocidade e a personalização dos ataques cibernéticos voltados ao setor de pagamentos, segundo Guilherme Scheibe, diretor regional do PCI Security Standards Council (PCI SSC) para Brasil, América Latina e Caribe. O executivo alertou que a tecnologia muda a dinâmica de proteção de dados e exige atualização constante das normas de segurança.
Como a IA altera o cenário de ataques
De acordo com Scheibe, a IA permite automatizar etapas que antes demandavam alto conhecimento técnico, tornando os ataques mais rápidos e com maior capacidade de adaptação a alvos específicos. Essa automação reduziu barreiras para criminosos digitais e intensificou a necessidade de revisar medidas de defesa, em especial contra técnicas de engenharia social.
O PCI SSC, criado em 2006, atua globalmente na formulação de padrões destinados a proteger informações de pagamento. Com o avanço de ferramentas baseadas em IA, o Conselho vem ajustando seus procedimentos e promovendo ciclos contínuos de revisão para manter os padrões aplicáveis às novas ameaças.
Segundo Scheibe, há hoje uma assimetria entre quem ataca e quem defende: enquanto as ofensivas se beneficiam de processos automatizados e rápidos, a implantação de contramedidas nas empresas costuma ser mais lenta. Isso gera uma competição entre soluções ofensivas e defensivas alimentadas por IA, cujo desempenho depende da capacidade técnica de cada lado.
No Brasil, o PCI SSC conta com o Regional Engagement Board (REB) para adaptar os padrões às especificidades locais. O país é apontado como uma região relevante por ter um sistema financeiro maduro e um mercado de fintechs em expansão, o que facilita ao Conselho compreender desafios e tendências regionais.
Um ponto destacado por Scheibe é a falta de maturidade em segurança entre várias fintechs emergentes. Empresas focadas em inovação podem negligenciar controles de conformidade, expondo-se a riscos que comprometem a proteção de dados e a continuidade dos negócios.
O PCI SSC afirma estar comprometido com a atualização de suas normas para responder às mudanças trazidas pela IA. Embora não haja, por ora, um plano para estabelecer regras específicas voltadas exclusivamente à tecnologia, o Conselho se mostra aberto a receber contribuições e comentários do mercado, reforçando a importância da colaboração contínua entre atores do setor.
Com informações de Uberlandianofoco




