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domingo, outubro 11, 2026

Colapso do Banco Master evidenciou limites da garantia do FGC e deixou milhares à espera de ressarcimento

O colapso do Banco Master expôs as limitações da proteção oferecida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e deixou milhares de clientes na fila por ressarcimento, embora parte dos investidores já tenha recebido os valores. Casos pessoais ilustram tanto a rápida recuperação de recursos quanto a angústia de quem teve dinheiro preso por meses.

Morando em Nova York como au pair, Marina*, 27 anos, voltou a planejar o retorno ao Brasil e decidiu aplicar os R$ 10 mil que havia economizado em um Certificado de Depósito Bancário (CDB) do Banco Master, orientada por pesquisas no ChatGPT. Em novembro do ano passado, quando o Banco Central decretou a liquidação da instituição, ela descobriu que quase todo o saldo estava comprometido. Pelo FGC, no entanto, conseguiu recuperar o montante em menos de 24 horas após o início do processo de ressarcimento.

Nem todos, porém, tiveram a mesma sorte. Especialistas ouvidos relatam que a quebra do Master escancarou fragilidades de um modelo de expansão adotado por bancos, corretoras e fintechs que se apoiaram na garantia do FGC para oferecer CDBs e outros produtos de renda fixa a investidores com pouca experiência. A promessa de “proteção” foi usada como argumento de venda, segundo a economista Ione Amorim, do Idec, e muitas vezes não traduziu a explicação completa sobre riscos associados.

Outro investidor, Alexandre Gonçalves, 29 anos, aplicou R$ 15 mil em CDBs do Master atraído por uma campanha de marketing da corretora que destacava “segurança e rentabilidade”. Enquanto bancos considerados saudáveis pagam entre 100% e 110% do CDI, o Master oferecia até 140% — indicador de maior risco. Após a liquidação, Alexandre só recuperou o dinheiro dias depois da liberação do pedido de ressarcimento, depois de meses de espera.

Advogados consultados pelo G1 apontam possíveis falhas no dever fiduciário de bancos e corretoras. Adilson Bolico, do Mortari Bolico Advogados, afirma que intermediárias têm obrigações regulatórias e de controle interno que podem não ter sido cumpridas. Para o especialista em direito bancário Roberto Panucci, mesmo quando os valores são devolvidos pelo FGC, o investidor pode sofrer perda real pelo tempo em que os recursos ficaram indisponíveis e pela inflação, o que reduz a vantagem de rendimentos prometidos acima do CDI.

O impacto financeiro é amplo: cerca de 800 mil investidores têm direito à garantia do FGC apenas em razão do Banco Master. Somando Master, Will Bank e Banco Pleno — todos partes do mesmo grupo e em liquidação desde novembro —, o FGC deverá desembolsar aproximadamente R$ 51 bilhões. Até o momento, o fundo informou ter pago R$ 37,2 bilhões; 653 mil credores do Master já receberam valores, cerca de 84% dos beneficiários. Casos pendentes envolvem situações que exigem documentação adicional, como menores de idade e inventários.

Antes da crise, o FGC dispunha de mais de R$ 140 bilhões em caixa. Para recompor os recursos, o fundo estuda medidas como antecipar contribuições dos bancos — o plano prevê adiantar o equivalente a 60 meses de contribuições já em 2026, além de 12 meses em 2027 e 12 meses em 2028 —, instituir uma cobrança extra sem prazo definido e negociar com o Banco Central o uso de parte do compulsório.

Especialistas defendem revisão do modelo de financiamento para que instituições mais arriscadas contribuam mais. Hoje, a contribuição padrão é de 0,01% sobre o saldo dos depósitos cobertos; em agosto o Conselho Monetário Nacional criou uma cobrança adicional para instituições mais expostas, elevando a taxa para 0,02% e exigindo que mantenham parcela maior de recursos em títulos públicos. Economistas e juristas alertam, contudo, que medidas que encarecem o uso da cobertura não resolvem por completo o incentivo a comportamentos de risco e podem repassar custos a consumidores, via tarifas maiores, juros mais altos ou menor oferta de crédito.

Para Ione Amorim, do Idec, a necessidade de aporte ao fundo tende a fazer bancos adotarem critérios mais rígidos na concessão de crédito, o que pode reduzir oferta ou encarecer financiamentos, pesando sobre consumidores e empresas. *Nome fictício para preservar identidade da fonte.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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