O mercado internacional de suco de laranja enfrenta dificuldades na safra 2026/27, com queda na produção e retração da demanda. Após um leve repique na temporada anterior, a oferta mundial de suco industrializado deve cair cerca de 13%, segundo relatório da Rabobank, afetando produtores e indústrias do setor.
De acordo com o estudo, a produção brasileira — a maior do mundo — está projetada em 255,2 milhões de caixas para a safra 2026/27, número que representa uma redução de 12,9% na comparação com a temporada anterior. A Rabobank aponta como principais causas o avanço do greening, condições climáticas desfavoráveis e o encarecimento dos custos de produção.
Impactos do Greening e Mudanças Climáticas
O greening continua a afetar as plantações: a incidência da doença alcançou 47,6% das árvores em 2025. A estimativa é de perdas próximas a 50 milhões de caixas na safra 2026/27, com impacto econômico calculado em torno de R$ 1,5 bilhão para os citricultores.
As alterações climáticas também têm comprometido a qualidade do fruto. Temperaturas elevadas e períodos de estiagem prejudicam a primeira florada — responsável pelos frutos maiores e mais valorizados — o que reduz a eficiência na produção de suco e diminui a rentabilidade dos produtores.
Além desses fatores fitossanitários e climáticos, os custos operacionais seguem em alta, com aumento nos preços de fertilizantes e da mão de obra, pressionando as margens de lucro na citricultura brasileira.
Queda na Demanda e Estoques Elevados
Paralelamente à contração da produção, a demanda global por suco de laranja também recua. A Rabobank projeta redução de 3% no consumo durante a safra 2026/27, acumulando uma queda de cerca de 40% na última década. A inflação e os elevados custos de energia são citados como agravantes dessa tendência de baixa.
Com oferta menor, mas procura ainda mais fraca, os estoques globais de suco de laranja devem subir, chegando a aproximadamente 490 mil toneladas ao final da safra. Esse aumento de estoque pressiona os preços, que já se encontram abaixo dos custos de produção para muitos agricultores, especialmente em São Paulo.
A perspectiva para a citricultura brasileira é de margens comprimidas e possível desaceleração nos investimentos. O relatório destaca a necessidade de eficiência operacional, controle de custos e estratégias para enfrentar as ameaças fitossanitárias que vêm reduzindo a produção.
Com informações de Uberlandianofoco




