Milhares de títulos foram retirados de bibliotecas e proibidos em escolas públicas dos Estados Unidos, segundo levantamentos citados pela reportagem. No último ano letivo, o número de restrições atingiu patamar recorde, abrangendo desde best-sellers contemporâneos até clássicos literários e materiais didáticos.
Entre as obras citadas estão “Me Chame Pelo Seu Nome”, “O Conto da Aia” e, em casos isolados, até a própria Bíblia. De acordo com os dados apresentados, mais de 5 mil livros foram removidos de bibliotecas americanas em 2025, e quase 7 mil obras tiveram proibição nas escolas públicas.
Livreiros consultados indicam que cerca de 40% desses títulos tratam de experiências de pessoas LGBTQ+ e de autores ou personagens não brancos. As proibições não se limitaram a ficção: manuais escolares e obras clássicas também foram alvo das medidas.
Alicia Quiñones, diretora do PEN Internacional para as Américas, afirmou que o fenômeno está inserido num contexto maior de polarização política e de tentativas de controlar narrativas sobre raça, gênero, identidade e memória histórica. Segundo Quiñones, a censura de livros funciona como instrumento para limitar quais histórias e perspectivas chegam ao debate público e para determinar quais experiências podem ser reconhecidas.
Organizadores dos boicotes e pedidos de remoção são majoritariamente grupos ultraconservadores. Fontes indicam que 92% das proibições são promovidas por ativistas que se dizem representantes de pais de alunos. O estado da Flórida é apontado como um dos centros desse movimento, favorecido por legislação local, pressão política e pelo crescimento de organizações que defendem os chamados “direitos parentais”.
Em âmbito federal, a reportagem registra que o presidente Trump vem apoiando medidas semelhantes por meio de ordens executivas. No Congresso, há proposta de lei que prevê a retirada de financiamento de escolas que utilizem livros com temática sexual.
O debate sobre censura também inspira literatura: em 2024, “A Biblioteca do Censor de Livros” foi finalista do Prêmio Nacional de Literatura dos EUA; a obra descreve uma distopia em que alguém decide quais títulos devem desaparecer.
O movimento de retirada tem enfrentado resistência. Redes de organizações se organizam contra as proibições, algumas livrarias criaram mesas de destaque para obras banidas e a hashtag “Leia livros proibidos” ganhou força nas redes sociais, destacando títulos que marcaram leitores.
Com informações de G1




