Um grupo de estados dos Estados Unidos, entre eles Califórnia e Nova York, está organizando uma ação judicial para impedir a aquisição da Warner Bros. pela Paramount Skydance (PSKY.O) por US$ 110 bilhões (R$563 bilhões, na cotação atual), informou a Reuters nesta sexta-feira (5).
Analistas citados pela reportagem afirmam que a Paramount pode ter vantagem ao buscar aval regulatório federal, em parte por vínculos políticos. O pai do CEO da Paramount, David Ellison, é o bilionário Larry Ellison, cofundador da Oracle, que tem relacionamento com o presidente Donald Trump.
Após a divulgação da notícia pela Reuters, as ações da Warner tiveram queda de 3,6% na tarde de sexta-feira, enquanto os papéis da Paramount recuaram 6,7%.
Em nota, um porta-voz da Paramount defendeu o acordo, afirmando que ele aumentaria a concorrência, e declarou que se opor ao negócio “significa dar a empresas consolidadas como a Netflix uma vantagem que elas não merecem”. O porta-voz acrescentou: “Continuaremos a lutar contra qualquer tentativa de sabotar um acordo que beneficia claramente os consumidores, os criadores e a indústria como um todo”.
A reportagem não detalhou quais outros estados devem participar do processo. Um representante do gabinete do Procurador-Geral da Califórnia, Rob Bonta, afirmou que a investigação estadual segue em curso, mas recusou-se a fornecer mais comentários.
O acordo enfrenta resistência em Hollywood: atores, roteiristas e outros profissionais têm criticado a negociação pelo risco de eliminação de postos de trabalho. O mercado financeiro e a indústria do entretenimento acompanham atentamente a negociação que reuniria franquias de grande peso no setor.
Contexto da disputa
A disputa teve início em dezembro de 2025, quando a Netflix fechou um acordo para comprar parte dos ativos da Warner, com foco nas operações de estúdio e streaming. Em seguida, a Paramount apresentou uma oferta concorrente para adquirir a empresa inteira, incluindo canais tradicionais.
A proposta da Paramount prevê pagamento de US$ 31 por ação e inclui a dívida da Warner, além de prever uma multa contratual maior caso autoridades regulatórias barrem o negócio, para tornar a oferta mais atraente aos acionistas. A avaliação total da Warner pela oferta da Paramount é de cerca de US$ 110 bilhões, incluindo dívida; a proposta anterior da Netflix somava US$ 83 bilhões e excluía ativos como CNN e Discovery.
Se aprovado, o negócio ampliaria o portfólio da Paramount com marcas e assinantes relevantes, e daria à família Ellison controle sobre importantes veículos jornalísticos norte-americanos citados na negociação, além de fortalecer a presença da companhia em cinema, TV e plataformas digitais. Analistas avaliam que a combinação poderia resultar em um catálogo mais robusto, maior poder de negociação e mais recursos para produção de conteúdo.
Com informações de G1




