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domingo, novembro 1, 2026

Raízen obtém apoio de credores para reestruturar dívida de R$ 64,7 bilhões

A Raízen, que opera postos Shell no Brasil e é uma das maiores empresas do setor de energia no país, anunciou na sexta-feira (5) que recebeu o apoio da maioria de seus credores para avançar em um plano de reestruturação financeira referente a cerca de R$ 64,7 bilhões em dívidas.

O acordo prevê aportes dos acionistas, alteração dos prazos de pagamento e a conversão parcial de dívidas em participação acionária. Entre as medidas confirmadas está a injeção de R$ 3,5 bilhões pela Shell na companhia. Além disso, 45% dos débitos incluídos no processo de recuperação extrajudicial serão transformados em ações, enquanto o saldo terá seus cronogramas de pagamento renegociados.

Segundo a empresa, a proposta tem caráter estritamente financeiro e não altera compromissos comerciais ou operacionais com clientes, fornecedores, revendedores e consumidores. A Raízen informou que a reestruturação busca reduzir a pressão sobre o caixa e permitir que a companhia retome um ciclo de crescimento sem afetar a continuidade das operações.

Como parte da estratégia de reestruturação, a Raízen pretende promover uma mudança organizacional: planeja desmembrar os negócios em duas empresas independentes até o final de 2027. Uma entidade ficará responsável pela produção de açúcar, etanol e bioenergia; a outra concentrará a distribuição de combustíveis e lubrificantes sob a marca Shell.

A companhia entrou com pedido de recuperação extrajudicial em março deste ano para renegociar aproximadamente R$ 65 bilhões em passivos financeiros. A recuperação extrajudicial é um método em que a empresa negocia diretamente com credores, sem passar pela mediação do Judiciário, em busca de prazos ou condições que permitam reorganizar as finanças e evitar problemas mais graves.

Nos últimos anos, a Raízen enfrentou forte pressão sobre o caixa em função de investimentos elevados, taxas de juros altas, safras afetadas por eventos climáticos adversos e desempenho inferior de parte dos negócios. Ao final de 2025, a dívida líquida da companhia estava em R$ 55,3 bilhões e o resultado do ano registrou prejuízo de R$ 15,6 bilhões, influenciado por perdas contábeis decorrentes de reavaliação de ativos.

A Raízen foi criada em 2011 como joint venture entre Cosan e Shell, reunindo as operações de produção de açúcar e etanol da Cosan com a rede de distribuição de combustíveis da Shell no Brasil.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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