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domingo, outubro 11, 2026

Especialistas afirmam que nova reforma da Previdência já deveria estar em debate

Previdência terá de voltar ao centro do debate, dizem especialistas

Especialistas consultados pelo g1 afirmam que o Brasil precisará encaminhar uma nova reforma da Previdência e que as mudanças deveriam ter começado a ser debatidas “para ontem”. Apesar da última alteração nas regras, aprovada em 2019, três fatores vêm pressionando as contas públicas e reacendendo a necessidade de novos ajustes: a alta informalidade e a transformação do mercado de trabalho; a indexação de benefícios ao salário mínimo, que registrou ganhos reais nos últimos anos; e o envelhecimento populacional aliado à queda da natalidade.

O Regime Geral de Previdência Social (RGPS), administrado pelo INSS e que inclui trabalhadores com carteira assinada e servidores não concursados, e o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), destinado a servidores públicos efetivos, continuam sob atenção do governo. No ano passado, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que o sistema previdenciário está pressionado e que o tema precisará ser discutido.

Em 2025, a diferença entre a arrecadação e o total que o governo precisou complementar para pagar aposentadorias, pensões e outros benefícios foi de R$ 436 bilhões. Desse montante, mais de R$ 320 bilhões destinaram-se ao déficit do RGPS — valor R$ 17 bilhões superior ao registrado em 2024. Especialistas atribuem esse cenário, em parte, ao crescimento da informalidade e ao surgimento de ocupações que não contribuem regularmente para a Previdência, como trabalhadores de aplicativo.

Bernardo Schettini, consultor do Senado, observa que a queda na arrecadação contrasta com o avanço das despesas. Ele aponta que a política de valorização do salário mínimo pressiona os gastos em ritmo superior ao da inflação, já que mais de 60% dos benefícios são indexados ao piso nacional, e defende mudança no modelo de custeio da Previdência.

O envelhecimento da população é outro fator destacado. Leonardo Rolim, consultor da Câmara dos Deputados, alerta que, olhando para 2070 — quando quem hoje entra no mercado de trabalho deverá se aposentar —, o Brasil terá um número de idosos muito superior ao atual. Segundo ele, a projeção aponta que, em 2070, haverá cerca de seis vezes mais idosos do que em 2000. Nos últimos 25 anos, o total de pessoas em idade ativa cresceu aproximadamente 30%, enquanto o número de potenciais beneficiários mais do que dobrou, criando um descompasso entre contribuintes e beneficiários no sistema de repartição.

O aumento no número de benefícios também pressiona as contas. Pedro Souza, analista da Instituição Fiscal Independente (IFI), lembra que o total de beneficiários passou de 28,3 milhões em 2015 para 35,2 milhões em 2025, com um crescimento médio anual de 2,21% no volume de benefícios emitidos. Em termos reais (valores de janeiro de 2026), o déficit da Previdência subiu de R$ 147,5 bilhões em 2015 para R$ 323,1 bilhões em 2025. As despesas totais alcançaram R$ 1,04 trilhão em 2025.

Segundo Souza, a receita do RGPS cresceu, em média real, 1,82% ao ano na última década, enquanto a despesa avançou cerca de 3,37% ao ano, quase o dobro, o que torna a trajetória de financiamento do sistema insustentável sem ajustes. Projeções do governo federal indicam que o déficit do RGPS pode mais do que quadruplicar ao longo dos próximos 75 anos.

Especialistas ouvidos concluem que as pressões demográficas, o aumento do número de beneficiários e a estrutura atual de financiamento tornam inevitável a necessidade de novos debates e medidas sobre a Previdência.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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