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domingo, outubro 11, 2026

Parecer interno aponta liquidez preservada no BRB, mas recomenda reforço de capital com uso de imóveis do DF

Transmissão: Globo

Um parecer interno do Banco de Brasília (BRB), assinado em 1º de março, conclui que a liquidez da instituição está preservada, porém aponta a necessidade de aumentar o capital do banco como medida de proteção. O documento, ao qual o G1 teve acesso, aconselha a aprovação pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) de um projeto de lei que autoriza a utilização de nove imóveis públicos do DF para ajudar na recapitalização da instituição.

A nota técnica descreve a proposta não como um resgate, mas como uma forma de proteger um ativo público considerado rentável e essencial ao Distrito Federal, preservando empregos, empresas e programas sociais diante de um evento extraordinário, e defende a adoção de salvaguardas e fiscalização contínua.

O parecer afirma ainda que o banco possui liquidez suficiente para honrar compromissos de curto prazo e manter operações normais. O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, está na CLDF para detalhar a situação patrimonial do banco; os deputados devem retomar a análise do projeto no período da tarde.

Entre 2024 e 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master. Segundo a Polícia Federal, ao menos R$ 12,2 bilhões dessas operações apresentam fortes indícios de fraude. Ao longo de meses, o BRB buscou fechar acordo para adquirir o Banco Master com apoio do governador Ibaneis Rocha (MDB), mas a operação foi rejeitada pelo Banco Central. O Ministério Público Federal identificou indícios de participação consciente de dirigentes do BRB no suposto esquema fraudulento articulado pelos gestores do Master.

Nelson Antônio de Souza assumiu a direção do BRB após a operação Compliance Zero, em novembro de 2025, que mirou o então presidente Paulo Henrique Costa. A atual gestão e uma auditoria independente continuam investigando a situação interna da instituição.

Votação e pressões políticas

O governo do Distrito Federal pretende votar o projeto de autorização do uso dos imóveis já nesta terça-feira (3), caso haja acordo. Parlamentares de oposição e alguns aliados do governador têm manifestado resistência, classificando a proposta como uma tentativa de proteger interesses eleitorais de Ibaneis Rocha, de Celina Leão e de seus aliados. O governo esperava aprovar o texto em fevereiro; o atraso, dizem autoridades, prejudica as condições do BRB para captar recursos no mercado.

O Banco Central determinou que o BRB reserve R$ 3 bilhões para manter as operações em segurança. Enquanto aguarda aval legislativo, o BRB convocou assembleia de acionistas para 18 de março para incorporar os valores dos imóveis ao patrimônio e propor emissão de até 1,67 bilhão de ações ordinárias. A oferta visa elevar o capital social em, no mínimo, R$ 529 milhões e, no máximo, R$ 8,86 bilhões — atualmente o capital social é de R$ 2,34 bilhões; no cenário máximo, o capital chegaria a R$ 11,2 bilhões.

Em fevereiro, o BRB submeteu ao Banco Central um plano preventivo, mantido em sigilo, com medidas para recompor o patrimônio e evitar o descumprimento das regras de solidez. O documento cita a possibilidade de empréstimo, inclusive junto ao Fundo Garantidor de Créditos, para melhorar o perfil de ativos e reduzir riscos. Com garantia do governo do DF, o banco poderia captar recursos em condições mais favoráveis; se não honrar eventual empréstimo, poderá haver necessidade de alienação dos imóveis autorizados pelo projeto.

As apurações internas prosseguem enquanto a proposta tramita na Câmara Legislativa e a administração do BRB busca alternativas para reforçar a solvência da instituição.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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