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terça-feira, novembro 3, 2026

G7 alerta para desequilíbrios globais que podem desencadear crise financeira

Países do G7 manifestam preocupação com desequilíbrios entre comércio e fluxos de capital que, segundo líderes, podem tornar a economia mundial mais vulnerável a crises financeiras.

Os responsáveis pelas sete maiores economias desenvolvidas apontam que o aumento das exportações chinesas, a deterioração das contas dos Estados Unidos e o fraco nível de investimentos na Europa estão criando tensões que exigem uma resposta coordenada. O tema é prioridade da França, atualmente na presidência do grupo, e estará na pauta da cúpula de líderes prevista para esta semana.

Segundo o presidente francês, Emmanuel Macron, os descompassos entre o comércio internacional e a circulação de capitais entre países chegaram a patamares “insustentáveis”. No mês passado, os ministros das Finanças do G7 concordaram que é necessária ação conjunta — algo que historicamente tem se mostrado difícil de obter também no grupo mais amplo do G20 — e alertaram que a falta de coordenação pode transformar esses desequilíbrios em uma crise financeira.

Como os saldos em conta corrente mostram o problema

O indicador que registra a entrada e saída de recursos de um país — incluindo comércio de bens e serviços, rendimentos de investimentos e transferências externas — aponta para um aumento de desequilíbrios desde a pandemia de Covid-19. Após recuos observados nos anos seguintes à crise financeira de 2008-2009, o superávit chinês voltou a níveis recordes, enquanto a zona do euro permanece credora do resto do mundo e os Estados Unidos seguem como principal destinatário de capitais estrangeiros.

Na prática, isso traduz-se em poupanças acumuladas em algumas economias sendo utilizadas para financiar o consumo em outras, com os EUA como maior receptor desses recursos.

China, EUA e Europa: as causas do descompasso

Na China, o superávit em conta corrente subiu para um recorde de US$ 735 bilhões desde a pandemia, impulsionado pelo crescimento vigoroso das exportações diante de uma demanda doméstica fraca. Críticos, entre eles o presidente dos EUA, Donald Trump, dizem que uma taxa de câmbio administrada e subsídios elevados favorecem as vendas externas chinesas. Pequim rejeita as críticas e afirma que suas empresas são competitivas, comprometendo-se a defender seus interesses diante de barreiras comerciais.

Os Estados Unidos continuam a gastar mais do que produzem, um padrão sustentado pelo consumo das famílias, baixa poupança e políticas fiscais que incluíram aumentos de gastos e cortes de impostos, além dos estímulos durante crises e despesas da pandemia. Esse comportamento eleva o déficit federal e torna o país dependente de recursos externos.

Na Europa, o excedente externo é atribuído principalmente ao baixo nível de investimento interno e à elevada taxa de poupança. Relatórios, entre eles um divulgado em 2024 pelo ex-presidente do Banco Central Europeu Mario Draghi, recomendam que os países do bloco convertam mais poupança em investimentos produtivos para evitar perda de competitividade frente a EUA e China. Desde a pandemia, a expansão dos investimentos na zona do euro ficou bem abaixo da observada nos Estados Unidos, especialmente em tecnologia, o que reduz a atividade econômica e faz com que parte da poupança europeia seja aplicada no exterior em busca de melhores retornos.

A discussão sobre esses desequilíbrios, iniciada no nível dos ministros das Finanças, seguirá nas reuniões de líderes do G7 com o objetivo de buscar mecanismos coordenados para mitigar riscos e evitar que as tensões se intensifiquem.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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