Chuteiras magenta se destacam no gramado por causa da percepção visual e de tecnologias
Chuteiras cor-de-rosa têm sido frequentes nas partidas da Copa do Mundo 2026. No Brasil, jogadores como Alisson, Vini Júnior, Bruno Guimarães, Endrick e Rafinha já foram vistos com modelos magenta, e as principais marcas de material esportivo lançaram versões nessa tonalidade para o torneio.
Além do apelo comercial, há explicações físicas e biológicas para a escolha da cor: o rosa-choque contrasta fortemente com o verde do gramado e chama mais atenção dos torcedores, sobretudo nas transmissões televisivas.
Do ponto de vista óptico, as cores que percebemos dependem do comprimento de onda da luz. Comprimentos mais longos são associados ao vermelho, os médios ao verde e os curtos ao azul e violeta. No entanto, não existe um comprimento de onda que corresponda ao rosa puro no arco-íris. A cor magenta ou rosa é produzida pelo cérebro ao combinar estímulos provenientes das regiões opostas do espectro: vermelho (onda longa) e violeta (onda curta), segundo o professor Acauan Figueiredo, do Curso Anglo.
Felipe Ribeiro, professor de física da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, explica que o tecido de uma chuteira rosa-choque pode refletir simultaneamente luz nas pontas opostas do espectro — vermelha e violeta — enquanto absorve o verde. Com isso, os cones da retina, sensíveis basicamente às faixas vermelho, verde e azul, recebem estímulos que o cérebro interpreta como magenta.
O fenômeno também é compreendido pelo círculo cromático, em que cores opostas oferecem maior contraste. No caso do gramado, predominantemente verde, o oposto cromático é o magenta, o que intensifica o destaque da chuteira quando ela aparece em campo. Caio Britto, autor de Física do Sistema de Ensino pH, observa que o sistema visual humano privilegia o contraste em relação a detalhes, por ser uma forma eficiente de identificar objetos.
Além da percepção humana, fatores tecnológicos e químicos aumentam o impacto visual das chuteiras atuais. Pigmentos fluorescentes usados nos calçados podem absorver luz invisível — como ultravioleta — e reemitir luz visível em tom rosa, gerando um efeito mais brilhante. As transmissões e telas modernas também colaboram: câmeras atuais e painéis OLED, QLED e dispositivos com HDR reproduzem cores saturadas com precisão, enquanto antigos televisores de tubo tendiam a dessaturar ou borrar tons muito intensos.
Imagens capturadas durante treinos e jogos, como a de Vini Júnior usando chuteira rosa em 15 de junho, ilustram a combinação desses fatores: escolha de cor, pigmentação fluorescente e tecnologias de captura e exibição que realçam o magenta em relação ao fundo verde do campo.
O conjunto — física da luz, processamento visual humano, pigmentação e evolução das telas — explica por que o rosa-choque tem se tornado uma presença tão marcante nos pés dos jogadores na Copa de 2026.
Com informações de G1




