Ministro da Fazenda anuncia intenção de emitir Panda Bonds para investidores chineses
O governo brasileiro pretende realizar sua primeira emissão de títulos no mercado chinês nos próximos dois a três meses, com objetivo de captar até 5 bilhões de yuans (US$ 734,99 milhões), informou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista à Reuters em Pequim.
Os chamados Panda Bonds são títulos de dívida emitidos por governos ou empresas estrangeiras diretamente no mercado financeiro chinês e denominados em yuan. Ao adquirir esses títulos, investidores chineses emprestariam recursos ao Tesouro brasileiro, que se comprometeria a pagar juros e devolver o principal no vencimento.
A divulgação da operação foi antecipada para a agenda de autoridades brasileiras em Xangai e Pequim entre os dias 24 e 26 de junho, liderada pelo ministro Dario Durigan. Procurado pela Reuters, o Ministério da Fazenda não comentou o assunto.
O anúncio ocorre poucos meses depois da primeira emissão do Brasil em euros desde 2014: em abril, o governo captou 5 bilhões de euros, equivalente a cerca de R$ 29 bilhões, junto a investidores internacionais.
A movimentação também se dá em um contexto de aproximação econômica com a China, principal parceiro comercial do Brasil. Relatório do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) aponta que, no ano passado, o país recebeu US$ 6,1 bilhões em novos investimentos chineses — aproximadamente R$ 30 bilhões —, o que representou 10,9% do total dos aportes chineses no exterior e colocou o Brasil à frente de destinos como Estados Unidos, Indonésia e Cazaquistão. O Brasil foi o único país entre os cinco principais destinos do capital chinês ao longo dos últimos cinco anos.
As negociações também ocorrem em meio a atritos com os Estados Unidos: o governo de Donald Trump propôs novas tarifas sobre produtos brasileiros e classificou facções criminosas do país como organizações terroristas, situação que contribui para a busca de alternativas de financiamento e parcerias.
Antes da viagem, representantes do Brasil e da China devem participar de reunião de um subcomitê financeiro bilateral. O governo brasileiro pretende ainda levar iniciativas relacionadas à sustentabilidade, como o programa Eco Invest Brasil, o Tropical Forest Forever Facility (TFFF) e avanços para um mercado regulado de carbono, na expectativa de atrair investimentos chineses para setores estratégicos.
O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Xi Jinping em cerimônia no Palácio do Povo, registrada em 13 de maio de 2025, reforça a interlocução entre os dois países no momento das tratativas.
Com informações de G1




