Transmissão: Band
Torcedores brasileiros transformaram em piada a expressão “Houston, we have a problem” após o sorteio que colocou o Japão como adversário do Brasil em partida a ser disputada em Houston. A frase, imortalizada pelo cinema, é usada nas redes sociais como trocadilho pela coincidência entre a cidade-sede da partida e o centro de controle da Nasa.
O que circula como citação típica do episódio espacial, no entanto, diverge do diálogo original trocado durante a missão. No momento crítico da missão que ocorreu em 13/04/1970, o piloto Jack Swigert relatou ao controle: “Okay, Houston, we’ve had a problem here.” Após um pedido de repetição do comunicador em Houston, o comandante James Lovell confirmou: “Ah, Houston, we’ve had a problem here. We’ve had a Main B Bus Undervolt.” No filme que dramatiza o caso, os personagens dizem “Houston, we have a problem.”
Por que a versão do cinema soa diferente
Especialistas em língua inglesa apontam que ambas as construções são corretas, mas transmitem nuances distintas. O professor Bruno Braga explica que o uso do present perfect (“we’ve had a problem”) indica que o problema surgiu no passado e continua a produzir efeitos no presente, enquanto o simple present (“we have a problem”) enfatiza a existência imediata do problema, conferindo mais urgência à declaração.
A adaptação cinematográfica alterou o tempo verbal possivelmente para tornar a fala mais direta e dramática, uma escolha de roteiro que não muda os fatos sobre a gravidade do incidente relatado pelos astronautas.
O que aconteceu na missão
Durante procedimentos de rotina de agitação dos tanques de oxigênio e hidrogênio no Módulo de Serviço, a tripulação — James Lovell, Jack Swigert e Fred Haise — ouviu um estrondo e acionaram alertas a bordo. No Centro de Controle, foram observadas leituras anômalas e luzes de aviso de queda de voltagem. Posteriormente, confirmou-se a falha completa do tanque de oxigênio número 2 e a perda de pressão no tanque número 1.
Como o oxigênio era essencial tanto para a respiração quanto para a geração elétrica, o plano de pouso na Lua foi cancelado e a missão transformou-se em operação de retorno seguro. A equipe utilizou o módulo lunar Aquarius como “bote salva-vidas” para trazer a tripulação de volta à Terra.
O episódio histórico, apesar de ter ganho releituras culturais, mantém registro preciso do diálogo e dos fatos técnicos ocorridos durante a missão.
Com informações de G1




