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terça-feira, outubro 27, 2026

Rede EJA e Inclusão Produtiva é lançada para ampliar ensino a 63,9 milhões de brasileiros sem educação básica

Frente ao cenário em que 63,9 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais estão fora da escola sem concluir a educação básica, foi lançada nesta terça-feira (7) a Rede EJA e Inclusão Produtiva. A iniciativa reúne 16 organizações da sociedade civil, fundações e organismos internacionais com o objetivo de ampliar o acesso à Educação de Jovens e Adultos (EJA) e fortalecer políticas públicas voltadas a esse público.

Coordenada pela Fundação Roberto Marinho, Fundação Bradesco, Fundação Itaú e Fundação Arymax, e com a participação de parceiros como UNESCO, UNICEF, Todos Pela Educação, Ação Educativa e Redes da Maré, a rede pretende articular a produção de conhecimento, a incidência em políticas públicas e a mobilização de diferentes setores para ampliar oportunidades de escolarização e inclusão produtiva de jovens, adultos e idosos.

Principais números e diagnóstico

O primeiro estudo divulgado pela rede aponta que a EJA atende atualmente apenas 1,5% da demanda potencial. Entre 2012 e 2025, o contingente de pessoas fora da escola sem educação básica completa caiu 16%, mas apenas 8% dessa redução é atribuída à atuação da EJA; mais da metade decorreu da mortalidade, sobretudo entre gerações mais velhas.

O relatório também calcula uma perda estimada de R$ 66 bilhões por ano em renda do trabalho em razão da baixa escolaridade. Em termos de distribuição, 44,7 milhões não concluíram o ensino fundamental e 19,3 milhões interromperam os estudos antes de concluir o ensino médio. Do total, 63,9% são pessoas pretas ou pardas e 49,2% são mulheres.

Oferta e desigualdades territoriais e socioeconômicas

A cobertura da EJA identificada pelo estudo é de 1,4% da demanda nos anos iniciais do ensino fundamental, 1,1% nos anos finais e 2,3% no ensino médio. O levantamento também registra que o número de municípios sem nenhuma turma de EJA mais que dobrou entre 2008 e 2024.

A falta de escolaridade concentra-se principalmente nas regiões Norte e Nordeste, onde, em várias mesorregiões, mais da metade da população com 15 anos ou mais não concluiu a educação básica. O estudo ressalta, porém, a presença do fenômeno também em áreas do interior do Sudeste e do Centro-Oeste.

Quanto a renda, a média domiciliar per capita das pessoas sem educação básica completa é de R$ 1.427, equivalente a 51,4% da renda média de quem concluiu a educação básica (R$ 2.777). Entre esse grupo, 56,5% vivem em domicílios com renda de até um salário mínimo, 32,8% vivem abaixo da linha de pobreza adotada para países de renda média-alta, e a taxa de pobreza é 1,8 vez maior do que entre quem concluiu a educação básica.

Barreiras e recomendações

O estudo aponta diferenças nos fatores que levam ao abandono escolar por gênero: entre homens, o trabalho é o principal motivo; entre mulheres, predominam filhos, responsabilidades familiares e cuidados domésticos. Os autores defendem que ampliar vagas sem medidas como creches, horários flexíveis e condições para conciliar estudo, trabalho e responsabilidades familiares reduz a chance de permanência e conclusão.

Como resposta, o relatório recomenda sete frentes prioritárias: estabelecer metas baseadas no número absoluto de pessoas que concluem a educação básica; garantir que a certificação por exames venha acompanhada de oferta efetiva de escolarização; fortalecer ações de busca ativa; direcionar recursos às regiões com maior déficit; integrar políticas de educação, trabalho e proteção social; ampliar condições para conciliar estudo, trabalho e cuidados familiares, incluindo creches e horários flexíveis; e assegurar financiamento contínuo, materiais didáticos atualizados e formação permanente de professores.

A Rede EJA e Inclusão Produtiva atuará ao longo da próxima década para produzir e disseminar conhecimento, mapear políticas públicas bem-sucedidas, articular gestores públicos, sociedade civil, setor produtivo e organismos internacionais e apoiar a implementação das metas do novo Plano Nacional de Educação (PNE).

A Rede Educação de Jovens e Adultos (EJA) e Inclusão Produtiva é composta por Ação Educativa, Ashoka, Conhecimento Social – Estratégia e Gestão, Conselho Nacional do SESI, Fundação Arymax, Fundação Bradesco, Fundação Itaú – Itaú Educação e Trabalho, Fundação Roberto Marinho, GIFE – Grupo de Instituições, Fundações e Empresas, Instituto Rodrigo Mendes, Pacto Global da ONU, Redes da Maré, Todos Pela Educação, UNESCO, UNICEF e United Way Brasil – Juventudes Potentes.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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