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sábado, outubro 24, 2026

Como funciona uma bomba atômica e por que nem todo urânio serve para fabricá-la

Programa nuclear do Irã

O programa nuclear iraniano voltou a ser foco de tensão após o conflito que começou no último sábado (28) envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Autoridades dos governos de Donald Trump e Benjamin Netanyahu afirmam que instalações e material em Teerã poderiam permitir a fabricação e o lançamento de uma arma nuclear, e, por isso, realizam ataques direcionados às usinas do país. O Irã nega intenção bélica e diz que suas atividades têm fins civis, como geração de energia e pesquisa médica. Analistas alertam para o risco de uma eventual corrida armamentista regional. Até o momento, não há registro de uso de artefatos nucleares nos combates.

O que é uma bomba atômica?

Uma bomba atômica convencional opera por fissão nuclear: núcleos atômicos pesados, quando atingidos por nêutrons, podem se partir em fragmentos menores, liberando energia e novos nêutrons. No caso do urânio-235, a captura de um nêutron desestabiliza o núcleo, que se divide em dois elementos mais leves e emite cerca de três nêutrons adicionais, além de grande quantidade de energia. Esses nêutrons provocam novas fissões em núcleos vizinhos, criando uma reação em cadeia muito rápida e descontrolada. Leandro Tessler, do Instituto de Física Gleb Wataghin (Unicamp), explica que a arma funciona por reunir massa suficiente de material físsel para que essa reação em cadeia cresça de modo explosivo.

O que significa o “235” no urânio?

O número 235 indica a massa atômica do isótopo, isto é, a soma de prótons e nêutrons. Todo átomo de urânio tem 92 prótons; o urânio-235 possui 92 prótons e 143 nêutrons (92 + 143 = 235). No urânio natural, o U-235 representa cerca de 0,72% do total; o restante é majoritariamente urânio-238 (92 prótons + 146 nêutrons = 238). Para usar urânio em reatores ou armas, é necessário separar e aumentar a fração de U-235, processo que demanda tempo e recursos.

O que é enriquecimento de urânio?

Enriquecer urânio significa elevar a proporção de U-235 em relação ao U-238. Uma técnica comum emprega ultracentrífugas: o urânio é convertido em gás e inserido em tubos que giram em alta velocidade; a força centrífuga tende a deslocar o componente mais pesado (U-238) para as bordas, deixando relativamente mais U-235 no centro, que então pode ser separado. André Scarpinati Luchetti, da Unesp Araraquara, compara o princípio ao de centrífugas usadas em laboratórios para separar componentes do sangue. Quando o teor de U-235 ultrapassa 85% ou 90%, o material é considerado adequado para montar uma arma nuclear. Especialistas observam também que o esforço necessário para subir de 0,72% a 20% é maior do que o exigido para avançar de 20% a 90%.

Por que usar urânio e plutônio?

Os dois principais materiais físseis viáveis para armas são o urânio-235 e o plutônio-239. Um material físsel absorve um nêutron, sofre fissão, libera energia e produz nêutrons que sustentam a reação em cadeia. O plutônio-239 é gerado em reatores e exige menor quantidade para obtenção de rendimento explosivo, mas traz riscos adicionais por sua maior taxa de fissão espontânea, o que exige técnicas de implosão mais complexas e sincronização muito precisa. Historicamente, a bomba de Hiroshima usou urânio-235; a de Nagasaki, plutônio-239.

Por que a bomba é tão devastadora? Quais os efeitos?

A explosão libera energia em frações de segundo, aquecendo o ar instantaneamente e gerando expansão violenta. A título de comparação, 1 kg de TNT libera cerca de 4 × 10^6 joules, enquanto 1 kg de urânio totalmente convertido em energia liberaria aproximadamente 9 × 10^16 joules (na prática, a eficiência é menor). A ogiva lançada sobre Hiroshima teve potência próxima a 15 mil toneladas de TNT. Os efeitos incluem uma onda de choque capaz de demolir construções; radiação térmica que provoca queimaduras internas e externas; e radiação ionizante que pode alterar o DNA e aumentar o risco de câncer a longo prazo. Luchetti lembra que, nas explosões de Hiroshima e Nagasaki, encontraram-se restos de tecidos biológicos carbonizados nas áreas próximas aos epicentros.

A bomba de hidrogênio é mais poderosa?

Sim. A bomba termonuclear combina fissão e fusão, unindo núcleos leves — tipicamente isótopos do hidrogênio — para formar núcleos mais pesados, liberando energia em processo análogo ao que ocorre no Sol. A fusão libera mais energia que a fissão, tornando essas armas significativamente mais destrutivas.

O que um país precisa para fabricar uma arma nuclear?

Além de urânio-235 ou plutônio-239, um Estado precisa de instalações para enriquecimento ou reatores produtoras de plutônio; sistemas para blindagem e manuseio de material radioativo; especialistas em física nuclear, modelagem computacional e engenharia de materiais; capacidade de fabricar munições nucleares com precisão e mecanismos de detonação sincronizados; e meios de entrega como mísseis balísticos, aviões ou submarinos. A adoção de um programa desse tipo implica violação de tratados internacionais e pode acarretar sanções econômicas e isolamento diplomático, além do enorme custo humanitário.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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