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terça-feira, outubro 13, 2026

Guerra no Irã pode elevar preços de energia globalmente por semanas ou meses

Transmissão: Band

Conflito eleva riscos de oferta e pressiona preços de combustíveis

A guerra no Irã, que já dura uma semana, ameaça provocar aumentos nos preços de combustíveis para consumidores e empresas em todo o mundo por semanas ou até meses, mesmo que o conflito termine rapidamente. Analistas apontam que, além do risco geopolítico, há impacto operacional concreto devido a instalações danificadas, logística interrompida e maior perigo no transporte marítimo.

Segundo nota do JP Morgan divulgada na sexta-feira (6), o mercado já começa a precificar não só o risco geopolítico, mas também as interrupções operacionais, como fechamento de refinarias e restrições às exportações, que afetam o processamento de petróleo bruto e os fluxos regionais de suprimento.

O conflito levou à suspensão de cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo bruto e gás natural. Teerã tem atacado navios no Estreito de Ormuz — entre o litoral iraniano e Omã — e também infraestrutura energética na região, o que elevou os prêmios de risco e a tensão nas rotas de exportação.

Os preços internacionais do petróleo subiram 24% na semana, ultrapassando US$ 90 por barril, movimento que já pressiona os valores de combustíveis no varejo. O fechamento quase total do Estreito de Ormuz motivou grandes produtores regionais — Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait — a suspender embarques de até 140 milhões de barris, volume equivalente a cerca de 1,4 dia da demanda global.

Com estoques em instalações do Golfo Pérsico se esgotando rapidamente, campos no Iraque já reduziram produção. Analistas, operadores e fontes do setor indicam que Kuwait e Emirados Árabes Unidos podem ser os próximos a efetuar cortes. “Em breve, todos também se isolarão se os navios não chegarem”, disse uma fonte de uma empresa petrolífera estatal da região, sob condição de anonimato.

Especialistas alertam que a retomada plena da produção pode levar tempo. Amir Zaman, chefe da equipe comercial das Américas da Rystad Energy, afirmou que campos que interromperam atividades devido a problemas no transporte marítimo podem demorar dias, semanas ou meses para voltar ao nível anterior, dependendo da idade e do tipo de paralisação.

Forças iranianas vêm atacando refinarias e terminais, resultando em danos que, em alguns casos, exigem reparos extensos. O Catar declarou força maior em suas exportações de gás após ataques de drones e poderá levar ao menos um mês para retornar à produção normal; o país responde por cerca de 20% do GNL mundial. A refinaria e o terminal de Ras Tanura, da Saudi Aramco, também foram fechados após ataques, sem detalhes públicos sobre os danos.

A Casa Branca justificou ação contra o Irã alegando ameaça iminente aos Estados Unidos, sem divulgar detalhes, e o presidente Donald Trump afirmou preocupação com esforços iranianos para obter arma nuclear. A segurança do Estreito de Ormuz permanece a principal incógnita para o fornecimento global: Trump ofereceu escolta naval a petroleiros e apoio financeiro a embarcações na região, mas fontes de inteligência e militares dizem que o Irã pode manter ataques com drones por meses.

O choque no abastecimento já afeta cadeias produtivas e economias asiáticas, grandes importadoras de petróleo do Oriente Médio. Na Índia, a estatal Mangalore Refinery and Petrochemicals declarou força maior para cargas de gasolina; ao menos duas refinarias na China reduziram produção e Pequim pediu suspensão de exportações de combustíveis. Tailândia e Vietnã também suspenderam exportações de derivados e petróleo bruto, respectivamente.

O aumento dos preços beneficiou fornecedores como a Rússia: o petróleo russo valorizou após os EUA concederem a refinarias indianas uma isenção de 30 dias para comprar produto russo e substituir o fornecimento perdido do Oriente Médio, ao mesmo tempo em que Washington pressionava Nova Déli a reduzir importações russas sob ameaça de tarifas.

Contratos futuros de energia no Japão, referentes ao ano fiscal que começa em abril, subiram mais de um terço na semana; em Seul, houve filas em postos de gasolina. A Europa, já fragilizada desde 2022 pela substituição do gás russo, precisará de cerca de 180 cargas adicionais de GNL frente ao ano passado para atingir níveis de armazenamento considerados necessários antes do próximo inverno.

Os Estados Unidos, apesar de serem hoje o maior produtor mundial de petróleo e gás, não ficam imunes: os preços domésticos acompanham o mercado internacional. Segundo a AAA, o preço médio da gasolina no varejo nos EUA alcançou US$ 3,32 por galão na sexta-feira, alta de 34 centavos na semana; o diesel subiu para US$ 4,33 por galão, ante US$ 3,76 na semana anterior. Analistas destacam o impacto psicológico dos preços da gasolina sobre eleitores, o que acrescenta uma dimensão política ao risco econômico para a administração americana às vésperas das eleições de meio de mandato.

O desfecho do conflito e o tempo necessário para reparar infraestruturas e normalizar o transporte marítimo determinarão se os preços recuarão rapidamente ou se permanecerão elevados por um período prolongado.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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