TRANSMISSÃO: Record
Fluxo externo e recordes, seguidos por recuo com avanço do conflito
Em 2026, a bolsa brasileira voltou a receber volumes expressivos de capital estrangeiro, o que ajudou o Ibovespa a atingir recordes históricos nas primeiras semanas do ano. Nos dois primeiros meses, o saldo de recursos externos na B3 somou R$ 42,56 bilhões, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta — o terceiro maior montante para o período na última década.
O influxo foi concentrado em janeiro e fevereiro: R$ 26,4 bilhões entraram em janeiro, a maior entrada mensal desde fevereiro de 2022, e outros R$ 16,9 bilhões em fevereiro, totalizando R$ 42,56 bilhões em 2026, contra R$ 26,87 bilhões registrados no mesmo intervalo do ano passado. O recorde histórico de entrada estrangeira na bolsa permanece em 2022, com R$ 119,7 bilhões.
O movimento de capitais ajudou o principal índice da B3 a superar pela primeira vez a marca dos 190 mil pontos, com o Ibovespa estabelecendo 13 máximas durante janeiro e fevereiro de 2026 — oito em janeiro e cinco em fevereiro — contra 32 recordes ao longo de todo o ano anterior.
Entre os motivos apontados para a volta do investidor estrangeiro ao mercado brasileiro estão juros reais elevados no país, preços de ações considerados atrativos em relação a companhias de países desenvolvidos, e uma busca por diversificação por parte de gestores internacionais. A taxa Selic está em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas, o que torna o mercado local mais atraente para quem busca retorno.
Por outro lado, a escalada da guerra no Oriente Médio, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no último sábado, reacendeu a aversão ao risco global. Desde o início do conflito, a bolsa acumula queda de 5% e voltou a operar abaixo dos 180 mil pontos. Em momentos de tensão internacional, é comum o chamado “flight to quality”: investidores deixam aplicações em mercados acionários e migram para ativos considerados mais seguros, como dólar e ouro.
Especialistas consultados afirmam que o fluxo de capital estrangeiro pode seguir em 2026, mas com variações conforme o cenário externo. Flávio Conde, analista da Levante Investimentos, diz que fatores estruturais ainda favorecem o Brasil — a perspectiva de queda futura dos juros, ações baratas em dólar e o risco elevado nas bolsas dos EUA — e avalia: “Se a guerra se intensificar durante o mês de março, é provável que o fluxo diminua um pouco. Mas não deve zerar, muito menos se transformar em saída de capital da bolsa brasileira. Esse movimento pode voltar a acelerar assim que o conflito terminar”. Para ele, eventuais quedas podem representar oportunidades de compra, e o Ibovespa ainda teria potencial para testar 200 mil pontos no médio prazo.
Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, ressalta que a escalada das tensões pode reduzir o fôlego do mercado no curto prazo se prevalecer a migração global para ativos de refúgio. “Existe o risco de perda de força do índice se prevalecer um movimento global de ‘flight to quality’, com migração para ativos de refúgio, como dólar e ouro, em meio à escalada da guerra no Oriente Médio”, afirma Belitardo, observando que em períodos de conflito é comum que bolsas sofram pressão enquanto petróleo e ativos considerados seguros sobem.
O futuro do rali do Ibovespa dependerá, portanto, da evolução das tensões internacionais e da persistência dos fatores domésticos que atraem capitais estrangeiros.
Com informações de G1




