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terça-feira, outubro 13, 2026

Interrupções, desconfiança e assédio criam barreiras para mulheres jovens no trabalho

Relatos e estudos apontam ambiente de trabalho hostil a mulheres mais jovens

Testemunhos de profissionais e levantamentos internacionais indicam que julgamentos sobre aparência, descrédito sobre competência, menos oportunidades e assédios continuam a afetar mulheres, sobretudo as mais jovens, em diferentes setores.

Carolina Nucci, ex-jornalista de automobilismo, relata episódio em que foi barrada na entrada do autódromo de Interlagos, apesar de portar credencial de trabalho. O responsável só a liberou após a confirmação da chefia de imprensa — um homem. Em ambiente majoritariamente masculino, Carolina diz que precisou provar repetidamente que estava ali a serviço da cobertura. No início da carreira, ela colocou uma aliança falsa na intenção de obter mais respeito; com o tempo, percebeu que os assédios se tornaram menos explícitos, mas não desapareceram.

Mariam Topeshashvili, gerente de 29 anos de uma agência internacional que articula produtores de conteúdo e empresas, descreve microagressões frequentes. Nascida na Geórgia, criada em uma favela no Rio de Janeiro e formada em Harvard, ela afirma ter ouvido comentários sarcásticos que questionavam sua capacidade e sentir que era constantemente avaliada por ser jovem, mulher, estrangeira e falante de uma terceira língua. “Muitas vezes tinha a sensação de que não era ouvida”, diz Mariam sobre sua trajetória acadêmica e profissional.

Os relatos pessoais convergem com dados do relatório Women in the Workplace, elaborado pela McKinsey & Company em parceria com a Lean In, que ouviu 15 mil trabalhadores em diversos países. Entre mulheres com menos de 30 anos, quase metade afirma que a idade já prejudicou suas oportunidades de trabalho; 36% relatam que a idade influenciou na perda de aumentos, promoções ou chances de progressão — índice que, entre homens, é de 15%. Em média, mulheres ocupam apenas 29% dos cargos de alta administração.

O mesmo estudo mostra que 39% das mulheres já foram interrompidas enquanto falavam; 38% tiveram sua área de especialização questionada; 18% foram confundidas com subordinadas; e 37% relataram ter sofrido uma ou mais formas de assédio sexual ao longo da carreira. Mulheres jovens, em especial, relatam maior incidência de comentários sobre idade, aparência e suposta inexperiência.

Pesquisa da Todas Group e da Nexus com 1.534 lideranças femininas aponta padrão semelhante: 56% das entrevistadas dizem que uma ação importante que homens podem tomar é interromper falas machistas de colegas; contudo, apenas 35% afirmam já terem sido defendidas por um homem em situações de preconceito de gênero. Além disso, 51% das mulheres avaliam que muitos homens acreditam que já existe igualdade no ambiente corporativo e 45% percebem que eles consideram a pauta de gênero um exagero.

Segundo especialistas citadas nas entrevistas, as barreiras são fruto tanto do machismo estrutural quanto do etarismo. Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora, observa diferença de tratamento: quando um homem jovem é promovido a reação costuma ser de admiração; quando é uma mulher, frequentemente há questionamento.

O efeito das microagressões reflete na saúde psicológica e nas carreiras: o estudo da McKinsey e da Lean In mostra que profissionais que enfrentam essas situações com frequência têm maior probabilidade de se sentirem esgotadas, considerar deixar o emprego e perceber o ambiente como injusto. Esse padrão contribui para o chamado “degrau quebrado”, a dificuldade das mulheres em obter a primeira promoção para cargos de liderança, o que amplia a desigualdade nos níveis superiores.

Diante disso, entrevistadas recomendam registrar ocorrências, procurar gestor ou recursos humanos, buscar mentoria, criar redes de apoio e planejar a carreira em longo prazo. Mariam aconselha que não se deixe passar situações injustas e Carolina lamenta não ter denunciado em mais ocasiões, reforçando que é preciso mostrar que comportamentos inadequados são inaceitáveis. Para especialistas, investir em preparo técnico e em comunidades de apoio também ajuda a enfrentar essas barreiras.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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