Rio de Janeiro — A taxa de desemprego entre jovens de 15 a 24 anos subiu para 12,4% em 2025, equivalente a 67 milhões de pessoas sem trabalho no mundo, segundo relatório divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). A agência da ONU atribuiu o aumento a um crescimento econômico mais fraco, tensões geopolíticas e à criação lenta de vagas formais, cenário que dificulta o ingresso dos jovens no mercado de trabalho.
O documento da OIT, citado pela Reuters, aponta que o avanço interrompeu a melhora observada após a pandemia de Covid-19 e refletiu prejuízos tanto na quantidade quanto na qualidade das oportunidades oferecidas aos jovens. A taxa geral de desemprego ficou em 5,4% em junho.
A pesquisa também registrou aumento do grupo conhecido como NEET (jovens que não trabalham, não estudam e não estão em formação): a participação desse grupo chegou a 20%, ou mais de 257 milhões de pessoas.
Segundo a OIT, a taxa de desemprego juvenil subiu entre 2023 e 2025 em oito das 11 sub-regiões analisadas, afetando países de alta renda e economias de renda média e baixa. As maiores taxas foram observadas nos Estados Árabes, com 26,2%, e no norte da África, com 22,6%.
Em algumas economias mais ricas, a deterioração também foi significativa. Na América do Norte, a taxa entre jovens passou de 8,3% em 2023 para 9,8% em 2025. No conjunto do norte, sul e oeste da Europa, o índice alcançou 15%.
O relatório chama a atenção para a redução de vagas de qualificação intermediária — como funções administrativas, atendimento ao cliente, vendas e postos na indústria — que tradicionalmente servem como porta de entrada para jovens que concluem o ensino médio ou a universidade. A diminuição dessas oportunidades aumenta a competição por um número menor de vagas e estende o tempo até a colocação no mercado.
A OIT também destacou o possível efeito das tecnologias de inteligência artificial (IA) sobre empregos ocupados por jovens. Estima-se que 6,1% das ocupações com trabalhadores de 15 a 29 anos estão particularmente expostas às mudanças trazidas pela IA. Se apenas 10% desses postos fossem eliminados, cerca de 5,6 milhões de jovens poderiam ficar desempregados, ter de mudar de profissão ou sair do mercado de trabalho — impacto que recairia majoritariamente sobre países de alta renda.
Embora a agência admita incerteza quanto ao efeito de longo prazo da IA no emprego, alertou que os riscos não devem ser subestimados. Ao mesmo tempo, as vagas que exigem maior qualificação, como nas áreas de ciência, engenharia, saúde e tecnologia da informação, continuam a crescer na maioria dos países.
Nos países em desenvolvimento, muitos jovens sem recursos financeiros acabam aceitando empregos mais precários: quase nove em cada dez trabalhadores jovens em nações de baixa e média-baixa renda ocupam empregos informais, com menor proteção trabalhista e acesso limitado a benefícios e mecanismos de proteção social.
Com informações de G1




