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domingo, novembro 8, 2026

Trabalhadores deixam empregos formais em busca de renda com vídeos gerados por IA no YouTube

TRANSMISSÃO: Band | YouTube | para se dedicar a canais dark (YouTube)

Henrique Batista, de 36 anos, trocou o trabalho como entregador de hambúrgueres em Paraopeba (MG) por uma atividade ligada à criação de conteúdos gerados por inteligência artificial para o YouTube. Após um dia de trabalho sob chuva, ele decidiu investir em um curso do youtuber Peter Jordan sobre como montar canais “dark” — também chamados de faceless, em que o produtor não aparece nem usa a própria voz. Pagou cerca de R$ 400 e, em três meses de dedicação intensa, passou a produzir roteiros, narrações e imagens com ferramentas de IA.

Henrique diz que monetizou um canal e investiu em outros, encontrando na rotina uma alternativa à entrega de lanches. Os vídeos que produz tratam de temas como civilizações antigas e narrativas bíblicas, e a remuneração vem principalmente da participação em anúncios exibidos nos vídeos, cujo valor depende de fatores como visualizações e perfil da audiência.

Ao mesmo tempo em que o Google promove ferramentas de IA, o YouTube enfrenta pressão para reduzir a remuneração de conteúdos considerados de baixa qualidade, inautênticos ou nocivos. Pesquisas citadas na reportagem indicam que 20% do que é mostrado para um usuário novo no YouTube pode ser “vídeo de IA de baixa qualidade” (estudo da Kapwing) e que, após uma sessão de 15 minutos assistindo a conteúdo infantil, mais de 40% dos vídeos parecem conter imagens geradas por IA (análise do New York Times).

O YouTube afirma que o conteúdo produzido por IA é permitido, mas que combater materiais de má qualidade é prioridade, aplicando padrões mais rígidos para públicos infantis e exigindo que todo o conteúdo siga as diretrizes da comunidade e políticas sobre desinformação médica. A plataforma também diz que rotula conteúdos gerados por IA para informar os espectadores.

A antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, professora na University College Dublin, afirma que a IA ampliou promessas antigas do marketing digital sobre substituir empregos tradicionais por rotinas mais flexíveis e lucrativas, mas alerta que alcançar monetização exige trabalho. Para o YouTube, um canal precisa ter ao menos 1.000 inscritos e 4.000 horas de exibição pública nos últimos 12 meses para começar a receber receita de anúncios.

Criadores relatam resultados variados. A produtora Tai Squinalli, de 43 anos, contou que chegou a ganhar R$ 75 mil em um mês, mas sofreu perda de monetização em massa em janeiro; hoje afirma ganhar entre R$ 5 mil e R$ 10 mil mensais com canais em espanhol, trabalhando longas jornadas. Ela pagou por cursos e mentorias para migrar de nicho quando canais de histórias perderam monetização.

O crescimento dos vídeos de IA também alimentou um mercado de cursos e mentorias que prometem ensinar a criar canais dark e obter renda, com promessas como “dizer adeus à CLT”. Entre os divulgadores desses métodos está Arthur Diniz, do canal Nova Riqueza IA, e o influenciador Peter Jordan, cujo curso inspirou Henrique. Jordan, criador do canal Ei Nerd, declarou que a rapidez de produção é uma vantagem e que erros ocasionais não comprometem o desempenho dos vídeos.

Pesquisadores apontam riscos relacionados à falta de checagem e supervisão em conteúdo automatizado. Um estudo liderado pelo professor Shuo Niu analisou vídeos em inglês que ensinavam a lucrar com IA e observou foco em eficiência de produção, em detrimento de autoria e credibilidade, o que pode permitir a “falsificação de conhecimento especializado”. Especialistas também destacam a responsabilidade ética de criadores e plataformas quando canais alcançam grandes audiências.

O YouTube diz que canais que usam IA podem seguir elegíveis à monetização desde que o produto final seja original, acrescente perspectiva autêntica, respeite diretrizes e deixe claro quando o conteúdo for sintético. Em entrevista, Matt Halprin, vice-presidente de confiança e segurança do YouTube, classificou como problemáticos vídeos genéricos, repetitivos ou que manipulem emoções, especialmente quando abordam saúde, finanças ou direito.

Entre defensores e críticos, a produção em massa de vídeos gerados por IA mostra-se uma alternativa de renda para alguns, mas envolve desafios técnicos, regulatórios e éticos para criadores e plataformas.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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