O Irã anunciou que deve ingressar em breve no Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como o banco dos Brics, informou nesta quarta-feira (12) o presidente do banco central iraniano, Abdolnaser Hemmati, segundo reportagem da Reuters.
O NDB foi criado pelos cinco países que integraram originalmente o grupo — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — a partir de um acordo assinado em 2014 durante a Cúpula dos Brics em Fortaleza (CE), e a instituição passou a existir oficialmente em 2015. Com sede em Xangai, na China, o banco tem como finalidade financiar projetos de infraestrutura e de desenvolvimento sustentável em economias emergentes e em países em desenvolvimento.
Segundo Hemmati, a adesão do Irã ao NDB ocorre em um contexto em que o país tem buscado ampliar seus canais de financiamento, diante das amplas sanções impostas pelos Estados Unidos e de outras restrições de acesso ao sistema financeiro internacional. A entrada no banco pode, conforme a Reuters, contribuir para a diversificação dessas alternativas e reforçar o interesse de Teerã em mecanismos que reduzam a dependência do sistema dominado pelo dólar.
Entre os temas discutidos pelos países do Brics está o aumento do uso de moedas nacionais nas transações comerciais e financeiras entre os integrantes, medida que pode ganhar impulso com a participação do Irã no NDB.
A aproximação do Irã ao banco acontece em um momento de divergências dentro do grupo. A expansão do Brics ampliou sua representatividade, mas também tornou mais complexa a construção de posições comuns sobre conflitos internacionais. Em março, a guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel evidenciou essas diferenças: Brasil, Rússia e China condenaram a ofensiva contra o Irã, enquanto Índia e Emirados Árabes Unidos adotaram posições mais críticas às retaliações iranianas na região, fato que impediu uma declaração conjunta do bloco.
O episódio contrastou com a reação do bloco à guerra de 12 dias entre Israel e Irã em 2025, quando, com o Brasil na presidência rotativa, os dez países divulgaram um comunicado conjunto condenando os ataques e defendendo o diálogo.
Hemmati participa nesta semana de uma reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais dos países do Brics, realizada na Índia, que ocupa a presidência rotativa do grupo neste ano.
Com informações de G1




