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domingo, novembro 8, 2026

Terremoto na Colômbia interrompe logística do café e ameaça embarques internacionais

Um terremoto de magnitude 7,4 ocorrido na segunda-feira (10) na Colômbia interrompeu parte da cadeia de exportação de café do país e pode comprometer embarques internacionais. O abalo, que deixou mais de 250 mortos e deixou milhares de feridos e desabrigados, atingiu áreas que concentram infraestrutura de processamento e as principais rotas para o porto de Buenaventura, no Pacífico.

A Colômbia, terceira maior produtora mundial de café depois de Brasil e Vietnã, produziu cerca de 14,8 milhões de sacas de 60 kg na safra 2024/25 e exportou aproximadamente 13 milhões de sacas em 2025. O país é referência no fornecimento de café arábica lavado, variedade valorizada por compradores externos, e exporta a maior parte de sua produção.

Bloqueios e deslizamentos em estradas que ligam o interior ao porto de Buenaventura dificultam o transporte do produto para o exterior. Em entrevista ao jornal El Colombiano, Gustavo Gómez, presidente da Associação Nacional de Exportadores de Café (Asoexport), afirmou que mais de 60% das exportações colombianas de café passam por Buenaventura e que, no momento, a estrada para o porto não está habilitada para veículos de comércio exterior.

O terremoto afetou também regiões com centros de processamento, como Manizales, Pereira, Armenia (no Eixo Cafeeiro) e Cartago, em Valle del Cauca. Com isso, o grão pode estar pronto para embarque nas unidades locais, mas encontra dificuldades para chegar aos terminais portuários. Produtores de Huila, Tolima, Cauca e Nariño também relatam problemas para encontrar caminhões e chegar a portos alternativos.

A Asoexport estima que a Colômbia exporta cerca de 1 milhão de sacas de café por mês — uma média aproximada de 250 mil sacas por semana — e projetou que uma semana de restrições poderia representar mais de 600 veículos e mais de 1.000 contêineres represados. A associação ressalta, porém, que esse cálculo é uma projeção para dimensionar o gargalo e não indica que 250 mil sacas já estejam efetivamente paradas.

O impacto no mercado internacional já aparece nas cotações: na terça-feira (11), o contrato de café arábica para setembro subiu 1,04% e fechou perto de US$ 3,34 por libra-peso, diante de preocupações sobre oferta global, estoques baixos e os possíveis efeitos do fenômeno El Niño.

Com Buenaventura comprometido, exportadores avaliam rotas alternativas pelos portos do Caribe — Cartagena, Santa Marta e Puerto Antioquia — e operadores desses terminais trabalham em planos de contingência para receber cargas adicionais. A mudança, porém, exige transporte rodoviário suficiente para levar o café dos centros de produção até os portos do Caribe; algumas rotas alternativas também apresentam bloqueios e deslizamentos, entre elas a rota Letras–Fresno–Manizales.

A Asoexport afirma que está trabalhando com o governo colombiano para recuperar corredores de transporte, utilizar temporariamente os portos do Caribe e retomar gradualmente as operações por Buenaventura quando houver condições.

A Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia (FNC) iniciou levantamentos sobre os danos nas áreas produtoras. Foram identificadas famílias afetadas em Risaralda, Valle del Cauca, Caldas, Antioquia, Chocó e Quindío. No Quindío, o Comitê de Cafeicultores informou que mais de 150 famílias produtoras foram registradas no levantamento inicial e que equipes foram mobilizadas nos 12 municípios do departamento para avaliar propriedades e infraestrutura.

Em Quindío, o levantamento apontou danos em comitês municipais e armazéns de provisão agrícola em Filandia, Buenavista e Montenegro; essas unidades foram fechadas preventivamente para avaliação, e as demais voltaram a funcionar na quarta-feira (12), segundo o comitê local. A instituição disse também que buscará garantir a continuidade da assistência técnica e a compra do café produzido na região.

A Asoexport informa que tem comunicado clientes no exterior sobre a situação para evitar que eventuais atrasos sejam interpretados como problemas comerciais ou de produção das empresas. Ainda não há previsão definitiva para a normalização das exportações; a retomada dependerá da recuperação das estradas, da liberação do acesso a Buenaventura e da capacidade das rotas alternativas.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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