20.6 C
Uberlândia
domingo, novembro 8, 2026

09/07/2026 — Onda de calor na Espanha leva a risco para produção de azeite, mas safra recorde pode segurar preços

Aquecimento extremo e incêndios elevam preocupações sobre oferta e custo do azeite

Incêndios e uma sequência de ondas de calor no sul da Europa reacenderam o alerta sobre os impactos climáticos nas plantações de oliveira na Espanha, maior produtora mundial de azeite. Apesar dos focos de incêndio em áreas pontuais, associações do setor e autoridades ainda consideram provável que a próxima colheita mantenha os preços estáveis, em razão de projeções de safra elevada.

A Espanha responde por cerca de 70% da produção de azeite na União Europeia e por 45% do consumo mundial, segundo o Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação do país. Em Castellón, um incêndio recente causou prejuízos estimados entre 35 milhões e 40 milhões de euros à agricultura local, informou a associação Asaja.

O Conselho Oleícola Internacional (COI) manifestou preocupação com os incêndios, mas destacou que é prematuro estimar o efeito sobre a produção de azeite e de azeitonas. Para o COI, serão necessárias informações detalhadas sobre as áreas atingidas e verificações das autoridades nacionais para se chegar a uma avaliação confiável.

O Ministério da Agricultura da Espanha afirmou que está levantando dados sobre os danos recentes e ressaltou que, de modo geral, as regiões mais afetadas não correspondem às principais zonas produtoras de azeite, com exceção de parte da Sierra de Espadán, em Castellón, cujo impacto nas exportações é considerado pequeno.

Especialistas apontam que o principal risco não é apenas o fogo, mas os efeitos das condições climáticas extremas. A seca prolongada e ondas de calor sucessivas reduzem a umidade do solo, podem causar queda precoce das azeitonas antes da colheita, afetar a qualidade dos frutos e elevar custos de produção — despesas que eventualmente podem ser repassadas ao consumidor.

Ao mesmo tempo, projeções do setor indicam a possibilidade de uma safra histórica na próxima campanha, apoiadas pelas chuvas abundantes do último inverno, que reabasteceram reservatórios. O azeitólogo Marcelo Scofano observa que, embora os reservatórios estejam cheios, o comportamento do clima nas semanas seguintes será determinante para confirmar o cenário favorável.

Para reduzir os riscos de variações bruscas de preço em caso de excesso de oferta, o Ministério da Agricultura abriu consulta pública sobre as normas de comercialização do azeite para a safra 2026/2027, cuja campanha começa em outubro. O período de contribuições vai de 23 de julho a 13 de agosto. A legislação da União Europeia prevê, entre outros instrumentos, a possibilidade de retirar parte da produção do mercado se a oferta superar determinados limites — mecanismo acionado quando a produção excede 120% da média das seis safras anteriores, segundo a pasta.

O mercado espanhol tem impacto direto no Brasil, grande importador de azeite. Entre 2023 e 2024, a seca na Península Ibérica contribuiu para aumento de preços no Brasil, quando uma garrafa de 500 ml chegou a ultrapassar R$ 50. A produção nacional ainda é reduzida: representa cerca de 1% do consumo total do país, conforme o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva).

No momento, as projeções e os dados disponíveis apontam para uma oferta maior na próxima safra, mas autoridades e especialistas mantêm vigilância sobre a evolução do clima e dos incêndios até a colheita.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também