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domingo, novembro 8, 2026

Deepfakes nas eleições: seis casos reais que alertam para riscos à democracia

Ferramentas capazes de gerar imagens, vídeos e vozes sintéticas — os chamados deepfakes — têm sido usadas em campanhas eleitorais ao redor do mundo, elevando a preocupação de autoridades, pesquisadores e plataformas digitais sobre os riscos à integridade do processo eleitoral. No Brasil, a questão ganhou destaque após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiar, em 13 de agosto de 2026, uma reunião que tentaria definir punições pelo uso de inteligência artificial nas eleições. A corte ainda avalia se a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) cometeu irregularidade ao exibir um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) produzido com IA durante a convenção do partido. Não há nova data divulgada para a reunião.

Quem fala sobre o tema: Sam Stockwell, pesquisador do Centro de Tecnologias Emergentes e Segurança (CETaS) do Instituto Alan Turing, no Reino Unido, analisa casos em que IA foi empregada em pleitos nos últimos anos. Ele afirma que, embora não existam “evidências conclusivas de que ferramentas de IA tenham alterado profundamente o resultado de qualquer eleição”, o risco maior, segundo ele, está no efeito acumulado de minar a confiança em instituições e na informação, e em inflamar divisões políticas.

Seis exemplos de uso de deepfakes em eleições

Irlanda (outubro de 2025) — Três dias antes da votação presidencial, circulou um vídeo que simulava uma transmissão da RTÉ News em que a principal candidata, Catherine Connolly, parecia desistir da corrida. A campanha confirmou que a gravação era falsa e pediu a remoção das plataformas. Alan Smeaton, professor emérito da Dublin City University e membro do Conselho Consultivo de IA do governo irlandês, apontou pequenas pistas que denunciavam a falsificação, como sobreposição de palavras e falhas no fundo das imagens. Connolly acabou eleita com 63% dos votos.

Equador (fevereiro de 2025) — Antes da eleição presidencial, surgiram vídeos com logotipos falsos de CNN, France 24 e Deutsche Welle que implicavam candidatos em escândalos e divulgavam alegações de fraude. Entre os alvos estiveram Daniel Noboa e Luisa González. As peças foram desmentidas por checadores e campanhas, mas um estudo da Universidade Laica Eloy Alfaro de Manabí (ULEAM) apontou impacto na percepção pública e aumento da desconfiança em ambientes com baixo nível de alfabetização midiática. Noboa foi reeleito em 13 de abril de 2025 com cerca de 56% dos votos.

Alemanha (fevereiro de 2025) — Vídeos manipulados, alguns usando imagens reais do MI6 e da polícia de West Midlands, foram editados com narração gerada por IA para alertar falsamente sobre ameaças terroristas, bombas e cédulas envenenadas no dia da votação. Conteúdos direcionados a regiões mais suscetíveis à narrativa se espalharam, e alguns foram rastreados por instituições europeias até uma rede russa de produção de desinformação.

Eslováquia (2023) — Dois dias antes da eleição parlamentar, viralizou um áudio falso atribuído ao candidato Michal Šimečka, que discutia suposta fraude eleitoral com uma jornalista. A divulgação ocorreu durante o período de silêncio eleitoral, limitando a resposta rápida da imprensa. O partido de Šimečka terminou em segundo lugar, perdendo para Robert Fico, do SMER‑SD. Estudos posteriores apontam que outros fatores, como narrativas pró‑Rússia consolidadas desde 2010, também influenciaram o resultado.

Romênia (2025) — Durante a campanha presidencial, golpistas utilizaram deepfakes no Facebook para promover falsos investimentos. Vídeos mostravam candidatos como George Simion e Nicușor Dan anunciando oportunidades de renda: investindo 1.400 lei (cerca de R$ 1.500) para receber 9.000 lei (aproximadamente R$ 10 mil) por mês. Ao clicar em links, usuários eram levados a sites falsos que imitavam páginas oficiais. Nicușor Dan foi eleito vencedor da disputa.

Paquistão (2024) — Em meio à eleição para o Parlamento, o então preso ex‑primeiro‑ministro Imran Khan divulgou, por meio de vídeos e áudios de IA produzidos por seu partido, mensagens afirmando vitória de candidatos independentes apoiados por ele. Khan havia sido preso em 2023, condenado a três anos de prisão por corrupção; em 2024 recebeu sentenças de 14 e 10 anos por outros casos, que foram suspensas meses depois, e em 2025 recebeu nova condenação de 14 anos. O PTI foi impedido de concorrer sob seu símbolo tradicional; muitos candidatos disputaram como independentes. O governo formado após a eleição foi liderado por uma coalizão do PML–N, e a apuração final foi marcada por atraso de mais de 60 horas, alegações de fraude pelo PTI e protestos nas ruas. Segundo Stockwell, o vídeo gerado por IA contribuiu para a instabilidade e para manifestações contra o regime.

Esses episódios ilustram diferentes formas e efeitos do uso de inteligência artificial em disputas eleitorais: desde tentativas de enganar eleitores e de imitar veículos confiáveis até golpes financeiros e estímulo a protestos. Autoridades eleitorais e plataformas ainda buscam respostas eficazes para controlar o uso indevido dessa tecnologia em campanhas.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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