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domingo, novembro 8, 2026

Instagram alimenta rede de perfis que prometem ajudar migrantes a chegar a Ceuta por pagamento

Perfis no Instagram estão promovendo a travessia para o enclave espanhol de Ceuta e oferecendo auxílio pago a migrantes, segundo investigação que usou uma conta fictícia para simular um solicitante de ajuda. A rede divulga conteúdos que retratam a chegada a Ceuta como simples e segura e, em alguns casos, pede valores adiantados para fornecer rotas e instruções.

Uma conta falsa criada pela reportagem, identificada como Mohammed — um perfil que fingia ser um jovem marroquino na casa dos vinte anos — entrou em contato com várias dessas páginas. Uma delas respondeu afirmando já ter auxiliado “muitas pessoas” e solicitou “5.000 dirhams adiantados” (R$ 2,8 mil) para fornecer “informações que me ajudarão a entrar em Ceuta”, incluindo detalhes sobre o uso de tubulação de esgoto como rota.

Ao interagir com os perfis, a reportagem foi adicionada a canais e grupos no WhatsApp. As contas indicaram pagamento “via conta bancária” por meio de um serviço específico de transferências, mas não esclareceram sobre reembolso caso a travessia falhasse. Mensagens trocadas foram removidas posteriormente por algumas dessas páginas.

O fluxo migratório a Ceuta ganhou visibilidade após cerca de 78 mil pessoas virem do Marrocos por mar em poucas horas no mês passado, episódio no qual o prefeito de Ceuta informou que 100 imigrantes morreram. A crise diminuiu desde então, mas gerou tensões entre países da União Europeia e críticas ao governo espanhol.

A BBC identificou dezenas de perfis no Instagram que fazem a travessia ao redor da cerca entre Marrocos e Ceuta parecer “segura e fácil”, apesar de registros de afogamentos e de migrantes optarem por rotas muito mais longas. Muitos desses perfis também dão a entender que Ceuta é uma via direta para chegar ao continente europeu, ainda que cerca de 75 mil dos 78 mil recém-chegados tenham sido devolvidos às autoridades marroquinas.

Parte do conteúdo foi classificado como “miragem” por pintar um quadro enganoso do local. Vídeos emotivos e otimistas — que mostram pessoas caminhando livremente ou nadando alegremente — foram reutilizados e editados por perfis marroquinos e em árabe, aumentando seu alcance. Um exemplo citado é um vídeo viral de duas mulheres de roupa de mergulho; versões compartilhadas removeram legendas que desencorajavam a migração, preservando apenas imagens que sugerem facilidade.

Quase 40 perfis analisados incluíam variações do termo “Haraga” no nome, frequentemente com bandeira espanhola na foto e códigos de área de Marrocos e Espanha na descrição. O histórico desses perfis, suas postagens e seguidores indicavam que a maioria era gerida a partir do Marrocos, com alguns possivelmente baseados na Espanha ou Itália. As contas aumentaram visibilidade ao explorar o algoritmo da plataforma, postando material que provoca reações fortes e direcionando usuários para os mesmos números de WhatsApp e endereços de e-mail.

Após contato da reportagem à Meta, dona do Instagram, diversas contas foram removidas. A empresa afirmou ter “uma equipe monitorando a situação em Ceuta em tempo real e removendo conteúdo que viola nossas políticas, incluindo conteúdo que oferece, facilita ou busca serviços de tráfico de pessoas”.

O alcance recém-adquirido dessas contas no Instagram ampliou sua exposição a possíveis clientes dispostos a pagar por informações sobre travessias, o que, segundo a investigação, pode ter contribuído para o aumento do fluxo migratório em conjunto com desinformação sobre mudanças na legislação espanhola e alegações sobre fragilidade nos controles fronteiriços.

As investigações apontam que, embora existissem publicações sobre Ceuta em outras redes sociais, o Instagram abrigou o grupo mais ativo e interconectado de perfis que promoviam a travessia.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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