A SaferNet Brasil informou, na sexta-feira (14), que entregou à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) um levantamento que identifica aproximadamente 1.093 contas no Telegram com indícios de material de abuso sexual infantil. A análise da ONG cobre o período de 2017 a 2026 e foi baseada em denúncias recebidas pela plataforma denuncie.org.br.
Além das contas citadas, a SaferNet declarou ter encaminhado à ANPD um total de 14.969 links do Telegram com conteúdo envolvendo temas variados, como drogas, armas, golpes e automutilação. Do universo de quase 15 mil links identificados entre 2017 e 2026, 8.160 já não existiam mais ou haviam sido removidos, enquanto 4.851 correspondiam a convites revogados. Cerca de 1.000 links com indícios de material de abuso sexual infantil permaneceriam ativos, segundo a ONG.
Entre os 1.093 endereços apontados como ativos e relacionados a violência sexual contra crianças e adolescentes, a SaferNet detalha a composição: 518 são perfis de usuários e robôs; 256, convites ativos; 192, canais; e 127, grupos. A organização diz que o Telegram tem funcionado não apenas como espaço em que o abuso ocorre, mas também como uma infraestrutura cuja arquitetura técnica, modelo de monetização e regras de moderação possibilitam a produção, distribuição e comercialização desse tipo de material em grande escala, conforme declaração de Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil.
A ONG observa que o número de denúncias cresceu de forma acentuada a partir de 2022, atingindo o maior patamar da série histórica em julho de 2026, o que, segundo a entidade, indica continuação e agravamento do problema identificado desde 2024. O G1 solicitou posicionamento ao Telegram sobre o levantamento e aguarda retorno.
No campo legislativo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou no início deste mês uma lei que aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes cometidos no ambiente digital, inclusive em casos que envolvam inteligência artificial. O projeto, de autoria do deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), foi aprovado pelo Senado em 7 de julho e aguardava sanção desde o mês passado. O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública registra aumento na produção, posse e distribuição desse tipo de material: foram 4.063 registros em 2025, alta de 23% ante os 3.280 casos do ano anterior.
Entre as alterações previstas pela nova legislação estão o aumento de pena para aliciamento de menores de 14 anos quando houver uso de inteligência artificial, deepfake ou perfil falso; possibilidade de aumento de pena para uso de mascaramento de IP ou outros identificadores digitais para dificultar a identificação; inclusão dos principais crimes de violência sexual infantil entre os crimes hediondos; e criação de nova hipótese de prisão preventiva para esses casos.
Com informações de G1




