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domingo, novembro 8, 2026

China acelera

TRANSMISSÃO: Band | Record

A China definiu no 15º Plano Quinquenal (2026-2030), publicado no início do ano, um conjunto de medidas para ampliar a produção doméstica de alimentos e diminuir a dependência de importações — estratégia enquadrada na prioridade de segurança alimentar anunciada pelo governo. O objetivo oficial é elevar a autossuficiência em diversos produtos, incluindo grãos e carnes, e aumentar a produtividade agrícola por meio de tecnologia.

Metas e prioridades do plano

Entre as metas anunciadas para o período até 2030 estão:

– aumentar a capacidade de produção anual de grãos para 725 milhões de toneladas (ante cerca de 715 milhões colhidas no ano passado);

– elevar a contribuição da ciência e tecnologia para o desenvolvimento agrícola de 64% para 67%;

– reduzir a participação do farelo de soja na ração animal de aproximadamente 14% para menos de 10%;

– garantir pelo menos 95% de autossuficiência em grãos básicos, como arroz e trigo;

– alcançar 85% de autossuficiência em carne bovina e ovina e 70% em leite.

Especialistas ouvidos apontam que o foco será aumentar a produção nas áreas já cultivadas, por meio de melhoramento genético, maquinário e outras tecnologias, já que a China dispõe de parcela limitada de terras agricultáveis e concentra menos de 5% da água doce mundial.

O que isso significa para o Brasil

O avanço das metas chinesas tem efeitos diretos sobre o agronegócio brasileiro, que hoje fornece boa parte da soja e grande volume de carne ao mercado chinês. No ano passado, a China importou quase 112 milhões de toneladas de soja, das quais mais de 70% vieram do Brasil. A produção doméstica chinesa responde por cerca de 20% da demanda por soja, segundo levantamento citado por especialistas.

O país já começou a ajustar o fluxo de compras: a importação chinesa de milho caiu de 8,4 milhões de toneladas em 2024 para menos de 4 milhões em 2025, reflexo de uma safra interna recorde. No segmento de carnes, foram impostas cotas e sobretaxa — em janeiro, foi aplicada uma sobretaxa de 55% sobre importações brasileiras que ultrapassassem 1,1 milhão de toneladas; esse limite já foi superado, segundo levantamento de Fernando Enrique Iglesias, do Safras & Mercado.

Consultores como Theo Paul Santana, fundador da Destino China, e Larissa Wachholz, ex-assessora do Ministério da Agricultura e sócia da Vallya Associados, avaliam que as medidas não indicam ruptura imediata, mas exigem adaptação das empresas brasileiras. Santana diz que a tendência será vender produtos com maior valor agregado — cortes premium, processados e marcas — e diversificar mercados para reduzir exposição a um único comprador.

Como respostas práticas, o setor brasileiro tem buscado abrir novos mercados — mais de 200 tiveram acesso liberado em 2025, quase 20 deles para carne bovina — e ampliar a presença local das empresas na China para acompanhar mudanças regulatórias e tecnológicas. Há também iniciativas para explorar oportunidades em produtos de maior valor, como biocombustíveis sustentáveis para aviação (SAF) e transporte marítimo.

Especialistas lembram que os chineses continuam a investir no Brasil para garantir abastecimento, citando operações da COFCO no porto de Santos, compras de locomotivas e vagões e um memorando para estudar a ferrovia bioceânica ligando o Centro-Oeste ao Pacífico. O comércio agrícola entre Brasil e China já supera a casa dos US$ 100 bilhões por ano, o que, na avaliação de analistas, reforça a relevância do país asiático como parceiro comercial, mesmo com novas exigências e limites temporários às importações.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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