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domingo, novembro 8, 2026

China pede participação em consultas do Brasil na OMC sobre tarifas dos EUA

China se junta a ação do Brasil na OMC contra tarifas impostas pelos EUA

O Brasil recebeu, nesta semana, o reforço da China na disputa contra medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos: o governo chinês solicitou participação nas consultas do país sul-americano no sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). A entrada chinesa foi destacada por especialistas ouvidos pela BBC News Brasil como um ganho político relevante para Brasília.

O pedido de consultas foi apresentado pelo Brasil no final do mês passado. Na ação, o país questiona duas medidas dos EUA: uma investigação que resultou em tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros e outra investigação envolvendo 60 economias que levou à aplicação de um adicional de 12,5% a produtos do Brasil. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro afirmou que as tarifas são “injustificadas e incompatíveis” com as obrigações assumidas pelos Estados Unidos segundo as regras internacionais de comércio.

Os Estados Unidos responderam que estão “à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas”.

Ana Garcia, professora de Relações Internacionais e coordenadora do Centro de Estudos Avançados da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), afirmou que a presença chinesa confere ao Brasil não só um aliado adicional, mas um parceiro com maior peso no comércio, investimentos e influência geopolítica. Segundo ela, a China conta com mais margem de manobra para contestar os EUA do que o Brasil.

Pablo Ibañez, do Brics Policy Center e também professor na UFRRJ, observou que o pedido chinês reforça politicamente o argumento brasileiro contra a Seção 301 dos EUA e que a medida tem elementos frágeis do ponto de vista legal. Ibañez também ressaltou que a iniciativa chinesa não se explica apenas por solidariedade: Pequim teria interesses próprios, entre eles disputar espaço em fóruns multilaterais e enfrentar a postura unilateral dos EUA.

Os analistas destacaram que a ação ocorre em um momento de enfraquecimento dos mecanismos multilaterais. Ibañez e Garcia recordaram que a OMC perdeu protagonismo ao longo das últimas décadas, à medida que potências passaram a privilegiar acordos bilaterais, e que decisões favoráveis no órgão podem ter impacto prático limitado diante da capacidade dos EUA de agir unilateralmente.

Além do debate sobre a disputa comercial, Ibañez chamou atenção para o posicionamento externo dos EUA no continente: nesta semana, o governo de Donald Trump exaltou novamente a Doutrina Monroe em um vídeo do Departamento de Estado publicado na terça-feira (11/08), no qual afirma que a doutrina encontrou “seu mais recente defensor em Donald Trump”.

Por fim, os especialistas lembraram que o Brasil mantém relações com ambos os polos — China e EUA — e que a entrada de Pequim na consulta não implica automaticamente um alinhamento entre os dois países. Também foi apontado que, mesmo com apoio chinês, é provável que impactos práticos sobre o chamado “tarifaço” americano sejam limitados e que exportações brasileiras afetadas tenderiam a ser redirecionadas para mercados como a Europa, outros países asiáticos ou maior integração regional.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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