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domingo, novembro 8, 2026

Uso do ChatGPT pode reduzir atividade cerebral e desempenho em tarefas, aponta estudo do MIT

Pergunta central: o uso recorrente do ChatGPT compromete funções cognitivas humanas a ponto de gerar uma “dívida cognitiva”? Pesquisas recentes e debates públicos ainda não oferecem resposta definitiva, mas um estudo do MIT trouxe evidências que acenderam o alerta entre cientistas, educadores e clínicos.

O estudo e seus resultados

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts acompanharam 54 jovens em três sessões nas quais mediram a atividade cerebral e avaliaram a qualidade de textos produzidos. O grupo foi dividido em três: um terço usou o ChatGPT, outro terço recorreu ao Google e o último confiou apenas em recursos próprios para escrever.

Os participantes que utilizaram o ChatGPT apresentaram, segundo os autores, desempenho inferior em indicadores neuronais e linguísticos, textos de qualidade menor, pior lembrança do que escreveram e sensação reduzida de conexão com as ideias produzidas. Com base nesses achados, os pesquisadores propuseram que o uso repetido da ferramenta pode substituir o esforço cognitivo necessário ao pensamento independente, originando um acúmulo descrito por eles como “déficit cognitivo” ou “dívida cognitiva”.

Repercussão e limites das conclusões

Os resultados geraram ampla cobertura midiática que, em alguns casos, interpretou os dados como prova de que a IA conduz inevitavelmente a perda progressiva de capacidades mentais. No entanto, a comunidade científica observa que as evidências empíricas de efeitos de longo prazo ainda são escassas: muitos trabalhos publicados até agora são teóricos ou normativos e as conclusões definitivas faltam.

Por que usamos ferramentas externas?

Pesquisadores como Evan Risko e Sam Gilbert propuseram um modelo cognitivo para explicar por que delegamos tarefas a sistemas externos, como motores de busca e IAs. Segundo esse modelo, o efeito sobre a cognição depende dos objetivos do usuário: recorremos à IA para evitar esforço ou para melhorar desempenho — por exemplo, pedir que o ChatGPT escreva uma redação por incapacidade percebida, ou usá-lo como recurso para comparar e enriquecer ideias.

O estudo do MIT não investigou por que os participantes delegaram tarefas, fator que especialistas consideram essencial para entender as consequências cognitivas.

O que se faz com o esforço poupado

Outra questão relevante é o destino dos recursos cognitivos economizados ao usar IA: eles são aplicados em novos aprendizados ou em tarefas menos produtivas? Pesquisas sobre o uso do Google indicam que, quando a ferramenta é usada para potencializar aprendizagens — por exemplo, localizar informações úteis para uma prática —, a habilidade do indivíduo pode melhorar. O mesmo pode ocorrer com IAs quando usadas deliberadamente para treinar ou dialogar sobre conceitos, em vez de apenas delegar respostas prontas.

No próprio experimento do MIT houve uma quarta sessão em que o acesso à IA foi redistribuído: participantes que originalmente usaram ChatGPT foram impedidos de usá-lo, enquanto os que antes usavam Google ou apenas suas próprias capacidades passaram a ter acesso à IA. Os primeiros mantiveram menor atividade cerebral e desempenho inferior; os segundos mostraram melhora em ambos os indicadores. Os autores interpretam isso como indicação de que a IA pode ser benéfica em certos cenários, especialmente quando integrada ao pensamento do usuário.

Implicações e conclusões

Em síntese, a ideia de uma dívida cognitiva decorrente do uso contínuo da IA é considerada plausível, mas permanece incerta. O estudo do MIT abre caminho para investigações futuras, mas não define de forma clara quais formas de uso seriam prejudiciais e quais poderiam ser vantajosas. Observar como e por que as pessoas usam ferramentas de IA será crucial para distinguir riscos de benefícios, especialmente no contexto educacional, onde é necessário decidir que tarefas automatizar e quais reforçar com o tempo e esforço poupados.

Autores citados no texto original: Madalin Marian Deliu Dumitru (docente da Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade Católica de Ávila; Universidade de Salamanca) e Patricia Alzola Bordón (pesquisadora de doutorado em formação, especialização em Neuropsicologia, Universidade de Salamanca).

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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