A varejista Casas Bahia afirmou que projeta um cenário econômico mais adverso em 2027 do que em 2026 e, diante dessa perspectiva, elaborou um plano que prevê o fechamento de quase 300 lojas. A declaração foi feita pelo presidente-executivo, Renato Franklin, durante uma conferência com analistas, um dia após o grupo protocolar pedido de recuperação judicial.
Segundo Franklin, a empresa não trabalha com uma melhora do cenário macroeconômico para o próximo ano. “Consideramos que 2027 será pior que 2026”, disse o executivo ao explicar que a estratégia de fechamento de lojas levou em conta uma possível piora nas condições de crédito ao consumidor.
A companhia destacou que o endividamento das famílias deve permanecer elevado e que algumas medidas adotadas para sustentar o consumo neste ano podem trazer efeitos adversos no futuro, pressionando ainda mais a oferta de crédito. Em função disso, a Casas Bahia afirmou que tem adotado critérios mais restritivos na concessão de financiamentos.
Pedido de recuperação judicial e reestruturação
Na noite de domingo, 16 de agosto de 2026, o Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. O pedido abrange a própria varejista e outras nove empresas do grupo, com o objetivo de reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e assegurar a continuidade das operações.
O protocolo foi apresentado no Foro Central Cível de São Paulo, instância especializada em falências e recuperações judiciais. A empresa informou que pretende manter em funcionamento as lojas físicas, o comércio eletrônico e os demais canais de venda. Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, ele precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária.
O movimento judicial é o desfecho de um processo de reestruturação iniciado em meados de 2023, quando a companhia lançou um Plano de Transformação para reduzir custos, aumentar eficiência e fortalecer a geração de caixa. Na primeira fase do plano, foram fechadas 55 lojas e houve redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho até o fim de 2023.
Em 2024, a Casas Bahia realizou uma recuperação extrajudicial, renegociando cerca de R$ 4,1 bilhões com instituições financeiras na expectativa de que a queda de juros e a retomada do consumo estabilizassem as contas. No entanto, a empresa afirmou que o cenário econômico permaneceu desfavorável.
Durante a segunda fase do Plano de Transformação, em agosto de 2026, a varejista demitiu cerca de 3.000 funcionários e fechou quase 300 lojas — número que a empresa também apresentou como equivalente a aproximadamente 30% da sua rede. A petição mencionada pela companhia indica que atualmente o grupo emprega mais de 20.000 pessoas e que a recuperação judicial visa preservar esses empregos e garantir a continuidade das operações.
A notícia termina aqui com as informações divulgadas pela empresa sobre o pedido e o plano de reestruturação.
Com informações de G1




