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domingo, novembro 8, 2026

Proibir redes sociais para jovens não resolverá, diz psicóloga canadense que estuda o tema há 25 anos

Pesquisadora afirma que proibições simples não atacam causas complexas da saúde mental

TRANSMISSÃO: Band | YouTube | encerraram todas as contas (YouTube)

A psicóloga canadense Candice Odgers, professora da Universidade da Califórnia em Irvine (UCI) que estuda a saúde mental de crianças e adolescentes há 25 anos, afirma que proibir o uso de smartphones e redes sociais por jovens não será uma “solução mágica” para os problemas de saúde mental dessa faixa etária. Em um TED Talk lançado em junho, que já ultrapassou 260 mil visualizações, Odgers questiona a ideia difundida de que o aumento de ansiedade e depressão entre adolescentes decorre majoritariamente do uso dessas tecnologias.

Odgers argumenta que a maior parte das pesquisas disponíveis aponta para associações pequenas entre tempo de tela ou uso de redes sociais e indicadores de bem‑estar, e que essas ligações tendem a desaparecer quando são controlados fatores como traumas na infância, histórico familiar e saúde mental dos pais. Ela também ressalta que, quando há correlações, não está clara a direção causal, ou seja, jovens com problemas pré‑existentes podem passar mais tempo online.

A pesquisadora defende mais responsabilidade das empresas de tecnologia e maior regulação para tornar as plataformas mais seguras, em vez de medidas que simplesmente afastem os jovens desses ambientes. Entre os riscos apontados por Odgers está o deslocamento de menores para espaços digitais menos regulados e a perda de ferramentas de proteção, como configurações de privacidade e filtros, caso contas sejam bloqueadas ou desativadas.

O debate ganhou força após decisões e propostas em diferentes países. No Brasil, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão das transmissões ao vivo (lives) do Discord depois que uma adolescente de 13 anos foi induzida à automutilação e ao suicídio em transmissões de grupos na plataforma; a empresa tem até esta segunda‑feira, 17/8, para comprovar medidas eficazes de proteção. Globalmente, a Austrália chegou a proibir menores de 16 anos em várias plataformas, e pesquisas publicadas — incluindo levantamento citado por Odgers — indicam que, após a proibição, 85% dos jovens seguiram acessando as plataformas, muitas vezes com contas ajustadas para adultos. Países como França, Reino Unido e Canadá têm adotado ou estudado restrições similares.

Relatos de opinião pública também aparecem nas estatísticas: segundo o Pew Research Center, 56% dos adultos nos Estados Unidos apoiam a proibição de redes sociais para menores de 16 anos, e 77% são a favor da proibição de celulares em sala de aula. Apesar do apoio popular, Odgers e comitês científicos, como um grupo da Academia Nacional de Ciências dos EUA, apontam que os efeitos documentados são pequenos e que há grande variação entre indivíduos e plataformas.

Odgers destaca ainda benefícios das redes sociais para determinados grupos, especialmente jovens de comunidades vulneráveis que buscam apoio e conexão online. Para ela, políticas públicas eficazes devem focar em melhorar o desenho das plataformas e ampliar medidas de proteção para todos, além de oferecer suporte social e familiar — em vez de confiar apenas em proibições que podem ser ineficazes ou contraproducentes.

Em suas pesquisas e na prática familiar, Odgers defende que decisões sobre o momento adequado para entregar um dispositivo a uma criança devem ser tomadas caso a caso pela família, considerando contexto escolar, rede de apoio e responsabilidade demonstrada pelo jovem.

Ao final, a pesquisadora alerta que concentrar-se exclusivamente na hipótese de que as redes sociais são a causa principal da crise de saúde mental pode desviar recursos e atenção de outras causas reais e variadas, como violência, instabilidade econômica, problemas de saúde mental nas famílias e exposição a eventos traumáticos.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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